Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026

Milícias de Gbagbo em fuga matam 120 pessoas--governo marfinense

Quarta, 11 de Maio de 2011 às 07:55, por: CdB

Milícias de Gbagbo em fuga matam 120 pessoas--governo marfinense

Por Tim Cocks

ABIDJAN (Reuters) - Milicianos leais ao ex-presidente da Costa do Marfim Laurent Gbagbo mataram 120 pessoas durante uma retirada em estilo "terra arrasada" de Abidjan na semana passada, informou o Ministério da Defesa.

A Organização das Nações Unidas disse que está investigando o relato.

A Costa do Marfim, país antes próspero da África ocidental, está contabilizando o custo de uma luta violenta pelo poder travada durante cinco meses entre Gbagbo e o atual presidente, Alassane Ouattara, na qual pelo menos 3.000 pessoas morreram e mais de 1 milhão foram deslocadas.

Gbagbo, que se recusou a deixar a presidência apesar dos resultados eleitorais confirmados pela ONU indicando que perdera a eleição de novembro passado, foi preso em 11 de abril. Mas os combates continuaram em partes de Abidjan até que milicianos e mercenários da Libéria leais a Gbagbo foram expulsos, na semana passada.

"Perseguidos pelas forças republicanas, eles praticaram uma tática de terra arrasada em sua fuga, destruindo tudo o que encontravam em seu caminho", disse um comunicado do Ministério da Defesa.

Ouattara tomou posse como presidente na semana passada, mas agora enfrenta a tarefa monumental de reunificar um país amargamente dividido por conflitos pela terra, nacionalidade e matanças cometidas por vingança.

O comunicado acusou milicianos e mercenários leais a Gbagbo de matar civis nas cidades costeiras de Irobo, Grand Lahou, Gonfroto e Niegreboue em 5 e 6 de maio.

O comunicado lista um total de 120 mortos, dos quais todos eram civis, excetuando dois soldados. Além disso, as forças marfinenses teriam matado 30 milicianos em um enfrentamento.

"Estamos conduzindo nossa própria investigação", disse à Reuters por telefone Guillaume Ngefa, funcionário de direitos humanos da ONU. "Estamos enviando nossa equipe a essas regiões. Neste ponto da investigação, não podemos confirmar as alegações."



Ouattara quer levar Gbagbo a julgamento por supostos crimes de guerra, mas também promete uma comissão de verdade e reconciliação, ao estilo da África do Sul, para ajudar a Costa do Marfim a avançar depois de possivelmente a pior violência de sua história.

Uma investigação da ONU confirmou esta semana a morte de 68 marfinenses por forças pró-Gbagbo no distrito de Yopougon, em Abdijan, no dia após a prisão de Gbagbo. Seus corpos foram sepultados por parentes em um campo de futebol.

Ngefa disse que quatro equipes da ONU estão investigando relatos de abusos supostamente cometidos por forças de Ouattara e de Gbagbo no oeste e centro do país, na região costeira sul e em Abidjan.

Os resultados das investigações serão divulgados nos próximos dias e semanas.

"Muita coisa ainda não está clara", disse Ngefa. "Há rumores e muita manipulação, de modo que é preciso ter cuidado."

Reuters

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