Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Milícias árabes continuam atacando a população da região de Darfur

Segunda, 19 de Julho de 2004 às 19:50, por: CdB

As milícias árabes continuam atacando a população da região de Darfur, no ocidente do Sudão, enquanto aumenta o número de refugiados, segundo um relatório divulgado hoje, segunda-feira, pela ONU.

Um relatório inicial sobre a reunião entre as autoridades sudanesas e o enviado especial da ONU, Jan Pronk, insinuam que as milícias árabes, conhecidas como Janjaweed, continuam destruindo aldeias e difundindo o terror nos povoados de origem negra da região de Darfur.

"Na reunião, a ONU argumentou que, embora o acesso à ajuda humanitária tenha melhorado, não houve avanços em matéria de segurança e na proteção de refugiados", aponta um relatório do Escritório de Coordenação de Assistência Humanitária da ONU (OCHA).

As agências humanitárias também estão preocupadas com os recentes ataques aos voluntários e a caminhões que transportam alimentos e remédios, acrescenta o documento.

Nele, a OCHA denuncia que o número de refugiados aumentou em 100.000. Mostra ainda a preocupação com a pressão que o governo do Sudão exerce sobre esta população para que voltem a suas aldeias ou outros lugares.

No entanto, afirma que os ataques das milícias Janjaweed e outras alinhadas ao governo fazem com que os refugiados tenham medo de voltar a suas casas.

Por enquanto, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, não manifestou se o governo sudanês cumpriu seus compromissos com a organização. Para fazer esse pronunciamento, espera reunir-se antes com representantes da organização mundial que estiveram em Darfur.

O presidente do Sudão, Omar Hasan al-Bashir, se comprometeu com a ONU a enviar tropas adicionais a Darfur para deter e desarmar as milícias Janjaweed e outros grupos armados que atuam fora da lei.

Prometeu ainda suspender as restrições de vistos e de viagem aos trabalhadores humanitários internacionais, assim como permitir a entrada de materiais e equipes de comunicação na região.

Esperando que Annan faça uma avaliação, o Conselho de Segurança tem na mesa um projeto de resolução, apresentado pelos EUA, no qual estabelece a imposição de um embargo de armas e uma proibição de viagem às milícias Janjaweed, sanções que poderiam também se estender às autoridades sudanesas.

Para Annan, "o fato de ter uma resolução sobre a mesa, embora não tenha sido votada, demonstra que o Conselho está tratando o assunto seriamente".

No entanto, descartou a possibilidade de que o Conselho de Segurança tenha decidido debater o envio de uma força militar de paz ao Sudão por enquanto, como estão pedindo alguns países.

Por outro lado, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) divulgou nesta segunda-feira um relatório no qual confirma que as milícias Janjaweed operam sob o comando do governo do Sudão, apesar das autoridades negarem.

"Centenas de testemunhas e vítimas de ataques afirmam que existe uma coordenação próxima entre as forças do governo e as milícias que operam no conflito", aponta a HRW.

Acrescenta ainda que os líderes e membros destas milícias recebem do governo salários, uniformes e armas, além de participarem de ataques conjuntos com as forças governamentais contra a população civil.

"É minimamente escandaloso que o Conselho de Segurança ainda não tenha adotado uma resolução específica sobre Darfur", indicou em entrevista coletiva Kenneth Roth, diretor da HRW em Nova York.

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