Rio de Janeiro, 17 de Março de 2026

Milhares pedem a renúncia de premiê libanês em Beirute

Sexta, 01 de Dezembro de 2006 às 17:17, por: CdB

Dezenas de milhares de pessoas participam nesta sexta-feira de uma manifestação no centro de Beirute, a capital do Líbano, para pedir a renúncia do primeiro-ministro do país, Fuoad Sinora, e de seu gabinete de governo. O ato foi convocado pelo grupo militante xiita Hezbollah, que mobilizou suas forças de segurança para proteger a multidão, e por outros grupos de oposição ao premiê.

Os manifestantes se concentraram em torno do gabinete de Siniora horas antes de o protesto começar, carregando bandeiras libanesas e gritando slogans como "Queremos um governo limpo". Grandes alto-falantes foram colocados nas duas principais praças transmitir hinos do Hezbollah e trechos do discurso de líderes do grupo xiiita e do líder cristão oposicionista, general Michel Aoun.

Soldados e policiais foram destacados para formar um cordão de segurança em volta dos prédios do governo em Beirute. Além da presença de soldados no centro da capital libanesa, forças terrestres, com o apoio de tanques e veículos blindados, assumiram postos de segurança nas entradas da cidade.

Siniora disse nesta sexta-feira que não será derrubado por protestos populares, argumentando que o seu governo é "legítimo e constitucional". Apoiado por uma maioria parlamentar anti-Síria, o governo de Siniora foi enfraquecido pela renúncia de cinco ministros pró-Síria e pelo assassinato, há dez dias, do ministro Pierre Gemayel, contrário à influência de Damasco na política libanesa.

Os ministros renunciaram depois que o governo se recusou a dar mais espaço no governo ao Hezbollah e seus aliados. Favorável à Síria, o presidente libanês, Emile Lahoud, disse que as renúncias tornaram o governo inconstitucional.

A oposição libanesa inclui o Hezbollah, o partido xiita Amal, a facção cristã liderada pelo ex-primeiro-ministro Michel Aoun e partidários do presidente Émile Lahoud, apoiado pela Síria.

O Hezbollah quer mais espaço no governo para ter poder de veto nas decisões do governo. A oposição pró-Síria também condenou a decisão do governo de aprovar o plano de um tribunal internacional para julgar suspeitos dos assassinato do ex-premiê Rafiq Hariri, em 2005.

A Síria é acusada de estar por trás do crime, embora negue as alegações. Um inquérito da ONU implicou autoridades sírias na morte de Hariri.

Tags:
Edições digital e impressa