Por agências de notícias internacionais 28/06/2011 às 15:19
Milhares participam de greve geral contra ajustes na Grécia e o FMI
Milhares de pessoas saíram às ruas de Atenas e Tessalônica (norte) para protestar contra o novo ajuste fiscal discutido pelo parlamento grego a partir desta terça-feira, no primeiro dia de greve geral contra o programa de austeridade exigido pelo FMI e UE.
"Não às medidas de miséria social. Basta. Não aguentamos mais", afirma uma faixa colocada diante da sede da GSEE, a principal central sindical do setor privado.
Os manifestantes, aos gritos de "O projeto de lei não passará", se dirigiam ao longo da manhã para a praça Syntagma, diante do Parlamento, onde já acampam há mais de um mês os chamados "indignados", inspirados em um movimento similar que surgiu em maio passado na Espanha.
Cerca de 4.000 simpatizantes da Frente de Trabalhadores (sindicato Pame, pró-comunista) chegaram duas horas antes a essa praça, comprovou um jornalista da AFP.
Cortes de energia elétrica, voos cancelados e transportes coletivos paralisados em Atenas, com exceção do metrô, também marcam o início da greve geral de 48 horas.
Nos aeroportos, muitos voos domésticos das companhias Aegean e Olympic Air foram cancelados em consequência da paralisação dos controladores aéreos.
Esta é a quarta greve geral convocada pelas duas grandes centrais sindicais do país: GSEE (setor privado) e Adedy (funcionalismo público).
Os grevistas, mais numerosos no setor público que no privado, rejeitam o plano plurianual de austeridade 2012-2015 que o Parlamento deve votar esta semana.
O plano prevê novos sacrifícios para a população em troca de uma ajuda financeira dos sócios europeus e dos credores, em particular um novo aumento dos impostos e novos cortes de empregos no setor público.
Violência marca greve geral na Grécia contra ações de austeridade
Milhares de gregos foram às ruas da capital Atenas nesta terça-feira, no primeiro dia de uma greve geral de 48 horas contra o novo pacote de austeridade que deve ser votado no Parlamento na quarta-feira e quinta-feira. Parte dos manifestantes enfrentou a polícia, que reagiu com gás lacrimogêneo.
O Parlamento da Grécia vota amanhã (quarta-feira) os termos gerais do novo pacote de austeridade, que inclui corte de funcionários, privatizações e aumento de impostos, para garantir o novo pacote de resgate da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Na quinta-feira, serão votados os detalhes.
As manifestações desta terça-feira ficaram violentas, com relatos de pequenos incêndios, quebra-quebra e de confrontos entre os gregos e as forças de segurança.
A agência de notícias Efe, que tem correspondentes no local, afirma que a polícia usou gás lacrimogêneo contra manifestantes que atacaram os agentes com pedras e garrafas.
O incidente ocorreu na parte inferior da praça Sintagma. Quem permaneceu na praça após a manifestação correu em busca de refúgio da violência e do gás.
Mais cedo, grupos de encapuzados que levavam bandeiras pretas, símbolo dos anarquistas mais radicais, danificaram a calçada de mármore perto do Parlamento com barras de metal e jogaram pedras nas forças de segurança.
Os donos dos hotéis próximos ao prédio fecharam as portas para evitar que os manifestantes entrem.
Os confrontos foram registrados também na frente do Ministério de Finanças e grupos mais radicais danificaram também as janelas do Post Bank.
Mais de 5.000 policiais foram escalados para guardar o centro de Atenas enquanto cerca de 2.000 manifestantes marcharam até o Parlamento em duas manifestações separadas. Outros 7.000 gregos marcharam na segunda maior cidade grega, Thessaloniki.
PARALISAÇÃO
Cortes de energia elétrica, voos cancelados e transportes coletivos paralisados em Atenas, com exceção do metrô, marcaram o início da greve geral.
Nos aeroportos, muitos voos domésticos das companhias Aegean e Olympic Air foram cancelados em consequência da paralisação dos controladores aéreos.
No porto de Atenas, 200 militantes do Pame, o sindicato de tendência comunista, impediram a saída de vários barcos.
Esta é a quarta greve geral convocada pelas duas grandes centrais sindicais do país: GSEE (setor privado) e Adedy (funcionalismo público).
AUSTERIDADE
A Grécia, uma das mais afetadas pela crise da dívida europeia, já recebeu em 2010 um pacote de resgate de US$ 160 bilhões da União Europeia e do FMI. O país, contudo, não conseguiu cumprir as metas fiscais previstas e alerta que, se não receber uma nova ajuda, vai quebrar.
Em troca da quinta parcela do primeiro pacote (de 12 bilhões de euros previsto para julho) e do novo pacote de resgate, o premiê grego tenta aprovar um segundo pacote de austeridade, com 6,5 bilhões de euros em aumentos de impostos e cortes de gastos estatais ainda neste ano.
O plano de austeridade proposto pelo governo socialista pretende ainda arrecadar 78 bilhões de euros até 2015, e inclui privatizações, novos impostos sobre renda e propriedades e cortes de salários e aposentadorias.
Para isso, está previsto a redução da força de trabalho do setor público em 25%, ao tempo que será elevada a 40 horas semanais a carga de trabalho e serão estipulados novos contrato com um salário mínimo de 500 euros mensais.
O comissário europeu para Assuntos Econômicos, Olli Rehn, advertiu nesta terça-feira que a aprovação pelo Parlamento grego do plano de austeridade constitui a única forma de evitar uma suspensão imediata de pagamentos da Grécia.
"A única forma de evitar um default [suspensão de pagamentos] é a a aprovação pelo Parlamento de um programa econômico revisado", afirma o comissário Rehn em um comunicado.