Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Milhares de pessoas protestam contra o governo na Turquia

Milhares de manifestantes protestaram contra a explosão de uma mina, em que ao menos 274 pessoas morreram na Turquia nesta quarta-feira. A polícia nas cidades de Ancara e Istambul, usaram bombas de gás e canhões de água para controlar o grupo. Os manifestantes pediam a renúncia do governo após o desastre, o pior do tipo na história do país.

Quinta, 15 de Maio de 2014 às 07:52, por: CdB
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Tragédia em mina pode, segundo correspondente da BBC, ser um teste para o premiê turco
Milhares de manifestantes protestaram contra a explosão de uma mina, em que ao menos 274 pessoas morreram na Turquia nesta quarta-feira. A polícia nas cidades de Ancara e Istambul, usaram bombas de gás e canhões de água para controlar o grupo. Os manifestantes pediam a renúncia do governo após o desastre,  o pior do tipo na história do país. Também houve conflitos na cidade de Soma, próxima à mina de carvão, durante a visita do primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan. Revoltados, parentes e amigos das vítimas cercaram o carro do premiê, gritando e tentando agredi-lo. Equipes de resgate trabalham de forma intensa no local da tragédia. Cerca de 450 trabalhadores foram resgatados, de acordo com a operadora da mina, mas outras dezenas deles ainda estão desaparecidos. Acredita-se que um total de 787 mineiros estivessem no local no momento do acidente. No entanto, nenhum sobrevivente foi retirado nas últimas horas. "Em relação à operação de resgate, posso dizer que nossas esperanças estão diminuindo", disse o ministro da Energi, Taner Yildiz, que está em Soma. Ele afirmou que o incêndio provocado pela explosão continua queimando o interior da mina, mesmo 18 horas depois do acidente. O ar lá dentro está cheio de fumaça, e as mortes estão sendo provocadas por inalação do monóxido de carbono. Vaias e chutes Segundo a mídia local, os manifestantes em Soma chutaram o carro de Erdogan e gritaram frases pedindo sua saída, logo após o premiê dar uma entrevista coletiva. Ele foi vaiado assim que saiu do carro e, cercado por seus guarda-costas, teve de se refugiar em uma loja. Já na capital Ancara, cerca de 800 pessoas marcharam da uma universidade até o Ministério da Energia para prostestar contra a tragédia. A polícia usou bombas de gás para tentar dispersar a multidão. Os protestos em Istambul ocorreram na sede da empresa Soma Holding, responsável pela mina. Erdogan também enfrentou críticas nas mídias sociais e foi chamado de insensível, após citar vários acidentes com minas no mundo, incluindo um na Grã-Bretanha ocorrido no século 19, para defender a atuação do governo turco nesse setor. - Vamos investigar todos os aspectos desse desastre e não vamos permitir nenhum tipo de negligência - disse Erdogan. Desespero O enviado da agência britânica de notícias BBC a Soma, James Reynolds, disse que a tragédia é uma espécie de teste para a reputação de Erdogan. Ele lembrou que o governo anterior perdeu uma eleição por ter sido considerado inapto ao lidar com um terremoto, em 1999. Segundo o correspondente, familiares dos mineiros estão em peso no hospital da cidade e dizem que não vão deixar o local até receberem informações. - Meu filho ia se aposentar daqui a dois meses - dizia uma idosa, aos prantos, no hospital de Soma. Reynolds contou que enquanto alguns dos familiares permaneciam sentados, encarando o chão, outros choravam copiosamente. De tempos em tempos, paramédicos passavam com alguém que havia desmaiado. - Essas pessoas estavam simplesmente desesperadas por alguma informação sobre os mineiros presos. E não tinham outro lugar para ir. Segurança Os partidos opositores no país criticaram os níveis de segurança da mina, embora o governo tenha afirmado que as inspeções periódicas estavam em dia. No local da tragédia, as equipes de resgate não estavam conseguindo retirar o gás preso no local, o que aumenta os perigos de novas explosões. A explosão que causou a tragédia foi provocada por uma falha elétrica, e por isso muitos dos elevadores usados pelos mineiros pararam de funcionar, fazendo com que muitos não conseguissem deixar a mina. Os que ficaram soterrados - entre eles os possíveis sobreviventes - estariam presos a cerca de 4 km da entrada da mina, a cerca de 2 km de profundidade. Oxigênio está sendo bombeado para o interior evitar que os operários morram sufocados.
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