Milhares de paquistaneses muçulmanos protestam nesta sexta-feira contra o governo por ordenar a invasão do Exército à Mesquita Vermelha de Islamabad, em uma ação que deixou ao menos 75 mortos em cerca de 36 horas.
Os protestos ocorrem em meio a um reforço na segurança em mesquitas e prédios do governo do Paquistão devido a ameaças de grupos extremistas.
- Este capítulo não acabou aqui. O derramamento de sangue em Lal Masjid [a Mesquita Vermelha] levará a uma revolução islâmica no Paquistão - disse Liaqat Baluch, líder central de uma aliança de seis partidos islâmicos, em uma marcha de 300 pessoas em Lahore.
Os manifestantes queimaram imagens do presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, e do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que são aliados. Eles gritavam slogans como "vida longa aos mártires de Lal Masjid" e "Musharraf assassino".
O cerco de uma semana e a invasão da mesquita deixaram um total de ao menos 108 mortos, segundo dados do governo.
As medidas de segurança no país chegam um dia depois que a coalizão de seis partidos religiosos apoiaram a convocação de 13 mil escolas islâmicas para um protesto contra o ataque à Mesquita Vermelha.
A rede Al Qaeda e o movimento islâmico radical afegão Taleban também prometeram atacar o Paquistão, ameaçando lançar ataques suicidas contra alvos governamentais. O irmão de um clérigo morto na Mesquita Vermelha convocou uma revolução islâmica no país.
Dois ataques suicidas foram registrados nesta quinta-feira, um dia depois do fim da invasão na mesquita, e deixaram ao menos sete mortos. A violência no nordeste do Paquistão já matou 35 pessoas desde o início do cerco em Islamabad, em ações supostamente ligadas à operação do Exército.
Os radicais da Mesquita Vermelha são acusados de apoiarem o movimento radical afegão Taleban e de tentarem estabelecer no Paquistão um regime similar ao que o grupo tinha no Afeganistão antes da invasão americana, em 2001. Eles se opõe também à aliança entre o presidente Musharraf e os Estados Unidos na chamada guerra contra o terror mundial.
Ação inevitável
O presidente do Paquistão, o general Pervez Musharraf, defendeu nesta quinta-feira a operação militar contra a radical Mesquita Vermelha de Islamabad e afirmou que combaterá e destruirá o extremismo religioso "em todos os cantos" do país.
A invasão do Exército começou na madrugada da última terça-feira, após uma semana de cerco, e terminou cerca de 35 horas depois. O total de mortos é de 108 em oito dias de confrontos.
Os confrontos em Islamabad foram resultado de meses de tensão entre governo e radicais da mesquita, que realizavam uma "campanha pela moralização" para pressionar pela aplicação da lei islâmica no Paquistão.
Após o fim da operação, jornalistas foram levados até um cômodo da mesquita onde um porta-voz do Exército disse que um homem-bomba se explodiu e matou ao menos seis pessoas. Os corpos estavam tão queimados que não foi possível identificar as vítimas ou dizer sua idade ou sexo, afirmou o porta-voz.
Entre os restos carbonizados de 19 pessoas encontrados na mesquita, poderia haver mulheres e crianças, segundo a France Presse, citando o Exército paquistanês. Veja as imagens da mesquita após a operação.
"Estou triste pela perda de vidas na operação, mas era inevitável", afirmou Musharraf, em discurso transmitido pela TV. Segundo o presidente, o número de vítimas foi maior pela demora da operação, que tentou chegar a um acordo por meio do diálogo.