Milhares de libaneses expulsos de suas casas regressavam para o sul, na segunda-feira, depois de uma trégua patrocinada pela Organização das Nações Unidas (ONU) ter colocado fim às cinco semanas de conflito entre Israel e o Hezbollah.
Milhares de carros lotavam uma estrada danificada por bombas e que sai da cidade portuária de Sidon, rumo ao sul. A maior parte das estradas e pontes do sul do Líbano foram atingidas pelo Estado judaico durante sua campanha militar.
Muitos motoristas tocavam a buzina de seus carros e faziam o "V" da vitória.
Escavadoras trabalhavam para encher as crateras e criar uma estrada de terra a fim de que os refugiados, em carros e caminhões carregados de móveis, pudessem atravessar uma ponte e continuar sua viagem rumo a Tiro e Nabatiyeh.
Mas as Forças Armadas de Israel afirmaram que continuava em vigor a proibição sobre o tráfego de veículos "não-autorizados" no sul libanês. Segundo o governo israelense, a medida é necessária para impedir a movimentação dos guerrilheiros do Hezbollah.
Um porta-voz do Estado judaico disse que qualquer um presente nas estradas poderia ser atacado.
Testemunhas contaram que os refugiados, desde as crianças pequenas até os mais velhos, estavam felizes e que falavam sobre a "vitória contra Israel". Alguns carregavam fotos do líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah.
O Exército do Líbano tentava coordenar os esforços para tampar os buracos nas estradas e aumentar o espaço para que os veículos pudessem circular.
Emoção
Alguns, impacientes com a lentidão do trânsito sobre uma ponte, deixavam seus carros, cruzavam a ponte a pé e tentavam conseguir uma carona do outro lado.
-Estou muito emocionada porque vou ver minha casa. Ouvi notícias de que ela tinha sido completamente destruída. Mas, mesmo se houver apenas uma sala intacta, vou ficar lá com minhas crianças - afirmou Sanaa Ayyad, uma libanesa que caminhava com seus filhos, um bebê de colo e dois meninos pequenos.
Mais de 1.100 pessoas no Líbano e 156 israelenses foram mortos durante o conflito, iniciado depois de o Hezbollah ter capturado dois soldados de Israel, em uma ação realizada no dia 12 de julho na fronteira.
Segundo forças de segurança, várias pessoas que se arriscaram regressando aos vilarejos bombardeados foram feridas por munição que não explodiu. Canais de TV pediram que os refugiados não se aproximassem de objetos estranhos.
Uma estrada, localizada 20 quilômetros a leste de Tiro, não podia ser cruzada devido às profundas crateras deixadas pelos bombardeios israelenses.
Segundo testemunhas, o clima na área próxima de Qana, onde dezenas de civis, a maior parte deles crianças, foram mortos em um ataque aéreo realizado no dia 30 de julho e condenado pela comunidade internacional, era de tensão e alerta.
As casas encontradas na estrada que vai de Tiro ao vilarejo de Yater estavam em ruínas. As pessoas pareciam estar com medo das bombas intactas presentes nas ruas e relutantes em entrar na área por enquanto.