A morte do político cristão maronita, que pertencia ao partido Falange e era membro da coalização que se opõe à Síria (conhecida como Movimento 14 de Março), aprofundou ainda mais a crise política e as tensões no Líbano. Pessoas no funeral gritavam slogans contra a Síria e seu presidente, Bashar al Assad.
O Hezbollah declarou que o ato de quarta-feira era um grande atentado à segurança e estabilidade do Líbano. As Nações Unidas e muitos governos estrangeiros também condenaram o atentado.
Nos últimos três anos, oito figuras públicas, entre políticos e jornalistas, conhecidas por sua posição anti-Síria foram assassinadas. Integrantes do governo acusam o governo sírio de estar pró trás dos assassinatos, cujo objetivo seria desestabilizar o Líbano. A acusação é veementemente negada por Damasco.
Eleições
O atentado contra Antoine Ghanem aconteceu em um momento delicado da vida política libanesa e deve agravar ainda mais a situação.
Na próxima terça-feira, o parlamento deve se reunir para eleger o novo presidente do país. O atual presidente, Emile Lahoud, é um aliado do regime de Damasco e não mantém um bom relacionamento com o atual primeiro-ministro, Fouad Siniora, que tem o apoio dos Estados Unidos e outros países ocidentais.
A oposição, liderada pelo Hezbollah e aliada à Síria, está boicotando o governo. O presidente do Parlamento, Nabih Berri, que faz parte da oposição, estabeleceu o dia 25 como a data para que os dois lados cheguem a um consenso em torno do nome do novo presidente.
Mas com o assassinato de Ghanem, líderes do governo já declararam que o diálogo acabou. O Movimento 14 de Março, que agora conta com 68 parlamentares de um total de 128, disse que levará adiante a eleição para presidente numa votação pela maioria simples. O cargo de presidente é sempre reservado para um cristão maronita, de acordo com a Constituição.
Conspiração
Walid Jumblatt, líder druso e membro do bloco 14 de Março, declarou que a Síria conspira contra o Líbano para reduzir o número de parlamentares de seu movimento.
— Eles tentam dizer aos libaneses que não poderão escolher um presidente independente.
Jumblatt teme que se um substituto para Lahoud não for escolhido até novembro, quando Lahoud deixar o cargo, o governo do primeiro-ministro possa nomear uma outra administração, o que segundo ele poderia levar à guerra civil.
Nas ruas a tensão é visível. As lojas têm fechado mais cedo e pessoas evitam ficar até mais tarde. Com a eleição chegando, a expectativa e o medo de uma nova guerra civil aumentam a cada dia.
O Ministério da Educação comunicou que todas as escolas e universidades, que iniciariam as aulas na segunda-feira, ficarão fechadas até depois da eleição.
Parte dos libaneses temem que, no caso de um conflito, o Hezbollah, segundo alguns melhor equipado e treinado que o próprio Exército, vença e que a Síria volte ao Líbano por causa de uma nova guerra interna.