O Exército se somou à população e anunciou que não reprimirá os manifestantes, que seguem exigindo a saída do presidente Hosni Mubarak
01/12/2011
Telesur
Mais de cem mil pessoas participam de uma manifestação pacífica na praça Tahir, na capital egípcia de Cairo, enquanto outras milhares estão em ruas próximas. O Exército se somou à população e anunciou que não reprimirá os manifestantes, que seguem exigindo a saída do presidente Hosni Mubarak.
Nas cidades de Alexandria e Suez também estão concentradas centenas de civis, segundo reportagem da rede Al Jazeera, do Qatar.
"As ruas e as áreas próximas à praça estão cheias de gente, é uma manifestação pacífica", informou o enviado especial da Telesur ao Egito, Reed Lindsay.
Ele relatou que "mulheres, homens, crianças muçulmanas e cristãs se encontram juntas lutando pela mesma causa".
"É uma manifestação unificada, uma mostra da força desta rebelião, esta revolução que está se dando no Egito", acrescentou.
Por telefone, o repórter da Telesur detalhou que a marcha, em princípio, planejava chegar até o Palácio Presidencial, mas os egípcios concordaram em ficar na praça e que a chegada seria adiada até sexta-feira (04).
Ele também confirmou que o Exército não reprime as concentrações populares porque "não seria viável".
"Não há como voltar atrás, as pessoas não se preocupam com nada, é um ambiente alegre. Eles sentem que ganharam e não se preocupam com nada", ressaltou.
Lindsay relatou que os manifestantes permanecerão nas ruas para exigir a saída de Mubarak, mas indicou que "a pergunta é como e quando" isso acontecerá.
Além da capital, a população da cidade portuária de Alexandria se uniu aos protestos contra o presidente.
Também a cidade portuária de Suez, localizada na faixa de terra que une África e Ásia, foi protagonista de manifestações.
Os protestos também acontecem nas cidades de Mansoura, Damnhour, Arish, Tanta e El-Mahalla el Kubra.
Os milhares de egípcios exigem a renúncia de Mubarak, que está há 30 anos no poder. Além disso, pedem a convocação de eleições livres.
Por sua vez, Mubarak tem sido respaldado por apenas cerca de 1,5 mil pessoas, mas as ruas cheias de manifestantes têm impedido que avancem à mesma praça de Tahir.
Um jornalista da rede Al Jazeera relatou que há "focos de protestos em favor do governo" e que há temor de um choque que poderia desencadear violência.