Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Milhares de chineses fazem manifestações contra o Japão

Sábado, 16 de Abril de 2005 às 08:27, por: CdB

Gritando "Os invasores japoneses devem morrer", milhares de pessoas protestaram contra os tempos de guerra do Japão no leste da China no sábado, atirando pedras e garrafas e queimando bandeiras japonesas no consulado de Tóquio em Xangai.

Mas com milhares de policiais paramilitares nas ruas de Pequim e o alerta feito aos estudantes contra as manifestações, as autoridades evitaram uma repetição dos violentos protestos do final de semana passado na capital, que recebe no domingo o ministro das Relações Exteriores do Japão.

Os chineses protestam contra livros que, segundo eles, encobrem o passado de guerra do Japão contra a China, e também contra o pedido do governo japonês para conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, entre outras coisas.

No terceiro final de semana de violentos protestos contra o Japão na China, milhares de pessoas se reuniram em frente ao consulado japonês em Xangai, quebrando janelas com pedras, atirando bombas de tinta e atacando restaurantes japoneses no caminho.

Os manifestantes viraram um carro japonês, deixando a mensagem "Boicote o Japão" escrita no veículo.

Ocorreram incidentes isolados e cerca de uma dúzia de manifestantes foram presos pela polícia.
O Ministério das Relações Exteriores do Japão criticou a situação, dizendo que o governo chinês não havia conseguido evitar que prédios comerciais e diplomáticos japoneses fossem danificados pelos manifestantes, e pediu que sejam tomadas medidas sérias para evitar uma repetição destes fatos.

- Este tipo de incidente parece estar se repetindo a cada semana desde o início do mês. Qualquer que seja a razão para este comportamento violento e destrutivo, não aceitaremos isto, e criticaremos estas atitudes com firmeza - disse o Ministério das Relações Exteriores em uma declaração.

Em Pequim, centenas de policiais montaram um esquema de segurança na residência do embaixador japonês, no distrito diplomático ao norte da cidade, e na embaixada, na parte sudeste. Os dois locais foram atingidos por pedras e garrafas no final de semana passado, mas foram poupados desta vez.

O ministro das Relações Exteriores do Japão, Nobutaka Machimura, deve se reunir com o ministro chinês Li Zhaoxing no domingo, e pretende garantir que os conflitos - que vão desde a exploração do gás em águas disputadas até a história do Japão - não afetem o comércio de 178 bilhões de dólares anuais entre as duas potências.

O Japão prometeu não deixar que a série de incidentes prejudiquem a expansão das relações entre os dois países.

Os chineses protestam contra o fato dos japoneses não assumirem as atrocidades cometidas durante a ocupação da China, de 1931 a 1945. O governo chinês estima que até 35 milhões de chineses foram mortos ou feridos pelas tropas invasoras japonesas.

Uma enciclopédia japonesa menciona que "incontáveis" civis e cerca de 1,3 milhão de soldados chineses morreram na guerra.

Os chineses ficaram irritados com a aprovação neste mês de um livro de história escrito por escritores nacionalistas japoneses que muitos asiáticos dizem glorificar o passado guerreiro do Japão.

A China é acusada de incentivar tacitamente as manifestações, que começou nas províncias de Guangdong e Sichuan no início do mês e se espalharam pelo país.

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