O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, reuniu-se na última quinta-feira com representantes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul) para discutir medidas emergenciais para reduzir os prejuízos causados pela seca na região Sul do País.
Segundo dados da Defesa Civil, até hoje, 265 municípios da região decretaram situação de emergência e só no Rio Grande do Sul a estiagem já causou um prejuízo de mais de R$ 2,5 bilhões à agricultura familiar. Além disso, cerca de 300 mil famílias foram atingidas pela seca.
As culturas de soja, feijão e milho foram as mais atingidas na região, chegando a uma perda de 50% da produção destes gêneros. A estiagem também secou as pastagens, trazendo um prejuízo também de 50% na produção de Leite, considerando que os agricultores familiares são responsáveis por cerca de 80% da produção de laticínios da região Sul.
O ministro Miguel Rossetto reconheceu a gravidade da situação e se comprometeu a cuidar em primeiro momento das questões de maior urgência, para depois promover ações mais estratégicas.
- Estabelecemos o dia 15 de abril como prazo máximo para as ações emergenciais, tendo em vista a situação dramática do Sul. Além disso, estaremos preparando um debate com os movimentos sociais para estabelecer um programa de seguro renda e seguro agrícola, objetivando proteger a produção e nossos agricultores das variações climáticas - declarou Rossetto.
As medidas de maior urgência, segundo a Fetraf-Sul, são a criação imediata de uma política pública de seguro-renda e a ampliação do seguro-agrícola.
Durante o mês de abril será discutida a realização de investimentos estratégicos, como a construção de pequenos açudes, cisternas e demais ações de estrutura. A Fetraf-Sul defendeu a anistia total do crédito de custeio para agricultores beneficiados pelo Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) em 2003, e que foram atingidos pela estiagem.
Além desta anistia, os representantes da Fetraf-Sul defenderam a prorrogação da parcela dos financiamentos de investimentos para os agricultores familiares atingidos pela seca nos três estados. As parcelas que vencem em 2004 passariam para o ano após o último vencimento, com anistia dos juros desse novo período.
Para o coordenador geral da Fetraf-Sul, Altemir Tortelli, o governo mostrou grande preocupação em resolver o problemas dos agricultores familiares sulistas.
- O governo se posicionou com muita vontade de negociação e concordou com o nosso prazo limite, garantindo que até esse período será apresentado o conjunto de medidas de curto e médio prazo - declarou o coordenador.
Miguel Rossetto vai agir contra seca no Sul
Quinta, 01 de Abril de 2004 às 23:19, por: CdB