Eduardo Campos ficou emocionado ao pegar Miguel no colo, logo após o nascimento
As lições da vida são úteis apenas àquelas pessoas que têm sensibilidade para aprender. É o caso do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ao celebrar, emocionado, a chegada de seu filho caçula, Miguel, que nasceu com Síndrome de Down. O simples sorriso do bebê, pelas declarações do papai aos jornalistas, foi suficiente para derreter o coração de um homem experimentado na lida do poder, endurecido pelas decisões difíceis do dia a dia.
Ter um filho com uma alteração genética é motivo para se compreender o sentido frágil desta existência e conviver, ainda que involuntariamente, com a doçura de quem, por todos os dias e em todos os sentidos, será sempre especial. Da mesma forma natural que o governador pernambucano ou o ex-jogador Romário passaram a conviver em uma realidade inteiramente nova, cada pessoa tem a oportunidade de visitar seus conceitos e, se não estiverem em sintonia com a delicadeza da vida, alterá-los para um entendimento do mundo mais carinhoso e solidário.
Ao perceber que haverá sempre alternativa na qual o respeito e o amor ao próximo integram-se, cada ser deste planeta é convidado a superar-se e abraçar, com simplicidade, a nossa delicada condição de seres humanos. Ao reconhecer nas crianças com necessidades especiais a tênue linha que nos conduz nesta passagem, é possível definir políticas mais adequadas para o cuidado que elas requerem.
Não será a atual, totalmente equivocada, que retira destes meninos e meninas o direito básico de receber os benefícios de profissionais como fonoaudiólogos, psicólogos e fisioterapeutas, entre outros, capazes de lhes oferecer uma existência mais proficiente e integrada à sociedade. Este é um campo em que o Estado, principalmente, comete um grave equívoco administrativo, ao relegar a segundo plano as instituições voltadas exclusivamente aos pequeninos que precisam, sim, de uma dose extra de cuidados.
A maioria destas instituições sobrevivem do altruísmo e da força de quem já compreendeu o quanto somos vulneráveis. As políticas de governo destinadas à educação deste público específico submetem os educandários à míngua, sem que possam desenvolver, em sua plenitude, o trabalho fraterno de tantos professores, médicos e demais profissionais dedicados a oferecer uma vida mais feliz aos pequenos alunos. Hoje, o menino Miguel, que leva o nome do bisavô, Arraes, é o maior cabo eleitoral que seus coleguinhas poderiam contar na campanha por um Brasil mais cuidadoso e amável.
Sergio Nogueira Lopesé sociólogo e embaixador da Sociedade Pestalozzi do Brasil - Instituição com projetos premiados pela UNESCO.
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