Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Mídia tucana e setores do PT unem-se para deter reforma profunda na política nacional

Por Gilberto de Souza - A luta por corações e mentes dos eleitores brasileiros, nas duas últimas décadas, produz escândalos de corrupção em série, como aquele na origem da Ação Penal (AP) 470. Este desaguou no julgamento conhecido como 'mensalão', que escoou mais de R$ 70 milhões para o ralo e, de lá, ao caixa 2 que abasteceu as contas de parlamentares e do Partido dos Trabalhadores (PT).

Terça, 26 de Novembro de 2013 às 14:45, por: CdB
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O banqueiro Daniel Dantas dirige o Banco Opportunity
A luta por corações e mentes dos eleitores brasileiros, nas duas últimas décadas, produz escândalos de corrupção em série, como aquele na origem da Ação Penal (AP) 470. Este escoou mais de R$ 70 milhões para o ralo e, de lá, ao caixa 2 que abasteceu as contas de parlamentares e do Partido dos Trabalhadores (PT). Desaguou no julgamento conhecido como 'mensalão' e o Supremo Tribunal Federal (STF), em sua maioria, acreditou na história do então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). O parlamentar petebista jurou que os recursos usados para remunerar o trabalho de marqueteiros como o publicitário Duda Mendonça e pagar contas da campanha petista que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva presidente, em 2002, eram mesmo para a compra de apoio parlamentar, no Congresso. A fórmula, aplicada ao longo de décadas pela agência DNA Propaganda, do publicitário Marcos Valério, tem origem no caso conhecido como 'mensalão tucano', iniciado em Minas Gerais durante a campanha do hoje deputado Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo estadual. Este, o STF não julgou ainda e, se não o fizer até meados do ano que vem, não julgará mais. A maioria dos crimes cometidos estará prescrita. Mas não faltará oportunidade para os tucanos explicarem, na Justiça, como funciona a transferência de recursos "não contabilizados", como classificam o caixa 2 para as campanhas políticas, como demonstra o mais recente propinoduto das empresas multinacionais Siemens e Alstom no patrocínio a vôos eleitorais de lideres tucanos da mais alta patente, ligados ao ex-governador paulista José Serra, e ao atual, Geraldo Alckmin. Em que pese o espetáculo público no qual se transformou o julgamento do 'mensalão' e a prisão dos réus José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, aliado ao noticiário sobre o desvio de mais de R$ 400 milhões do 'propinoduto tucano', no entanto, "há uma área cinzenta entre petistas e tucanos na qual circulam personagens inalcançáveis, até agora, para a Justiça brasileira", afirmou fonte relevante, ligada à Polícia Federal (PF), ouvida pela reportagem do Correio do Brasil em condição de anonimato. – O STF mantém os líderes petistas presos por acusações que, dentro em breve, serão desmontadas com um sopro pela Justiça italiana, se julgar o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. Ele tem provas suficientes de que não há dinheiro público envolvido. É o que basta para desmontar a tese do 'mensalão'. Inexplicavelmente, o relatório do ministro Joaquim Barbosa (atual presidente do Supremo) desconhece estes documentos. Enquanto isso, as mesmas personagens que hoje assombram os pesadelos dos petistas, em suas celas, caminham com desenvoltura, novamente, na cena política brasileira – afirmou. Condenado pela Justiça Federal e inocentado, em seguida, no STF, o banqueiro Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity – que chegou a figurar entre os quatro grandes corruptos brasileiros na lista do Banco Mundial, dela excluído após a decisão favorável do Supremo quanto ao seu envolvimento na Operação Satiagraha, da PF – seria um dos fantasmas que habitam aquela interseção acinzentada do matiz entre o preto, da fria letra da lei, ao branco da permissividade com os recursos de campanha destinados ao pagamento de um dos sistemas eleitorais mais caros do mundo. No atual sistema, o voto de cada brasileiro é contabilizado em uma intrincada conta de doações aos políticos e benesses concedidas de volta aos doadores, após o fechamento das urnas. Um dos operadores deste perverso sistema de partida e contrapartida, entre propinas e benesses, Marcos Valério também frequenta, atualmente, os corredores do Presídio da Papuda, em Brasília, e guarda com ele a verdadeira extensão de seu relacionamento com Daniel Dantas. Durante o julgamento do 'mensalão', o ministro Ricardo Lewandowski, revisor da AP 470, destacou uma parte do relatório de conclusão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, no qual há a afirmação de que o depoimento do publicitário revela "de forma cristalina, que a sua relação com o grupo Opportunity de Daniel Dantas era ainda mais profunda" do que aquela com o suposto esquema de compra de apoio parlamentar organizado pelo PT. Mídia e eleições Em um artigo, assinado no blog Conversa Afiada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim (PHA) e reproduzido aqui, no Correio do Brasil, o proprietário do site de notícias Brasil 247, Leonardo Attuch, é apontado como um dos funcionários do Banco Opportunity, destacado para cuidar dos interesses do suposto patrão, na trincheira petista. – O Brasil 247 é o diário oficial do Daniel Dantas – reforça o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), delegado que comandou a Operação Satiagraha, ao comentar o ingresso do novo veículo no rol dos beneficiários de verbas públicas governamentais, em seus espaços publicitários. Segundo o parlamentar, Attuch comandaria um novo esquema de comunicação, ligado a Daniel Dantas e a setores palacianos, para ampliar a presença do PT na mídia, nas próximas eleições, como uma espécie de contraponto à oposição, que domina os veículos conservadores. Attuch nega, peremptoriamente, as acusações. Mas o editor do 247, por sua vez, ocuparia um posto irrelevante no jogo de gato e rato entre a polícia e aqueles que sustentam o caixa 2 das campanhas eleitorais. Estes últimos, geralmente guardados por um exército de assessores contratados a peso de ouro para dissimular a atuação de seus patrões na composição dos poderes que governam o país, trabalham em sintonia com a imprensa conservadora, que tem exercido papel vital no lançamento de uma cortina de fumaça sobre a realidade que, há décadas, molda o sistema eleitoral brasileiro. O clube da mídia ligada aos setores mais retrógrados da sociedade é composto, como constatou o ex-presidente Lula, por um reduzido número de sócios. Há pouco mais de um ano, em uma visita à Argentina, ele já antevia a prisão de Dirceu e o colocava como vítima do sistema formado tanto por grandes empresários e banqueiros quanto por donos das concessões públicas de rádio e TVs, entre eles a Rede Globo e suas afiliadas. – Se Dirceu vai preso, será uma vingança, porque nesse momento no PT estávamos discutindo a regulamentação dos meios audiovisuais, que no Brasil estão concentrados em mãos de apenas seis famílias – disse Lula, em Buenos Aires. No episódio do 'mensalão' ou nas seguidas tentativas de se desestabilizar os governos de Lula e, agora, da presidenta Dilma Rousseff, a atuação da Globo e demais jornais, revistas, canais de TV e de rádio que defendem a continuidade do sistema capitalista no país tem sido relevante. A ponto de, segundo a revista Carta Capital, manter os ataques diretos à maioria dos governos e partidos ligados ao campo das esquerdas, enquanto domina a bilionária distribuição de verbas publicitárias do Palácio do Planalto e demais esferas da República. "De um total de R$ 161 milhões repassados a emissoras de tevê, rádios, jornais, revistas e sites desde o início do governo Dilma Rousseff, R$ 50 milhões foram direcionados apenas à tevê Globo. Ainda entre as emissoras, a Globo Comunicação e Participações LTDA. recebeu R$ 833,8 mil e a Globosat Programadora, R$ 810,3 mil. Isso soma cerca de um terço de toda a verba publicitária do governo federal. A família Marinho recebe ainda por: Rádio Globo (R$ 730 mil), Infoglobo, que edita O Globo e o Extra, R$ 927,4 mil, Globo Participações, que cuida das operações na internet, R$ 952,9 mil. O jornal Valor Econômico, do qual o grupo detém 50%, embolsou R$ 164 mil. E a Editora Globo, responsável pela revista Época, R$ 479 mil", contabiliza a revista editada pelo jornalista Mino Carta, em reportagem publicada há cerca de um ano. Atualmente, estes valores foram substancialmente aumentados e não preveem os recursos repassados aos mesmos meios de comunicação pelas demais estruturas dos Três Poderes. O CdB também tentou ouvir Dantas e, em contato com a assessoria de imprensa dele, registrou o pedido de uma entrevista que, até o fechamento desta matéria, não foi respondido. O silêncio do banqueiro é compreendido, em parte, na declaração do blogueiro PHA ao Correio do Brasil: – Se o Dantas começar a falar, como me disse o advogado dele, Nélio Machado, corre o sério risco de morrer. Tanto Daniel Dantas, que não negou – nem confirmou – seus interesses em grupos de mídia no país, destinados à defesa de seus interesses patrimoniais, quanto os proprietários dos grandes conglomerados de comunicação, capitaneados pela família do falecido jornalista Roberto Marinho, na defesa do sistema capitalista e, por conseguinte, de suas propriedades, seguem ativos na formulação de políticas públicas contrárias à democratização da mídia e ao aprofundamento de uma reforma política no Brasil. A possível simbiose entre os interesses de um banqueiro, que construiu parte de sua fortuna durante os oito anos do governo neoliberal do tucano Fernando Henrique Cardoso e a consolidou na gestão petista de Lula; com a prática da Rede Globo e seus parceiros, de aferrolhar os governantes aos índices de audiência, desenham o quadro eleitoral do ano que vem. – A reforma política a que se referiu a presidenta Dilma, no calor das manifestações de junho, era mera falácia para aplacar a ira daqueles que não suportam mais esse jogo de comadres idealizado para manter tudo do jeito que está. E que sempre esteve. Mas esse é um jogo perigoso, com grande chance de dar tudo errado no ano que vem – prevê aquela fonte.
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