Equipes de resgate auxiliadas por cães farejadores examinavam nesta sexta-feira os destroços de um trem que descarrilou na recém-inaugurada linha expressa entre Istambul e Ancara, matando 36 pessoas e ferindo outras 81.
Jornais e sindicalistas culparam o governo pelo acidente desta quinta-feira, dizendo que ele ignorou alertas de especialistas quanto à segurança da ferrovia entre as duas maiores cidades do país.
O popular jornal Hurriyet chamou o acidente em manchete de "assassinato em série". A CNN turca disse que três funcionários do trem foram detidos para esclarecimentos. O novo trem expresso foi inaugurado em junho com grande festa, e faz parte de um programa de modernização das ferrovias turcas.
"Este trem não deveria estar andando!", gritava uma mulher que perdeu o marido ao primeiro-ministro Tayyip Erdogan, quando ele visitou o local do acidente, durante a noite. Vários jornais republicaram a foto dele com boné de ferroviário, feita na inauguração, em 4 de junho.
As autoridades atribuíram inicialmente o acidente a uma falha mecânica, mas os jornais falam em problemas de manutenção, uma vez que os trilhos em questão têm mais de cem anos. Passageiros disseram que o trem ia muito rápido na hora do descarrilamento, a muito mais que os 80 quilômetros por hora citados pelas autoridades na noite desta quinta-feira.
Ao amanhecer desta sexta-feira, os vagões continuavam tombados perto de Pamukova, numa área montanhosa no noroeste turco. Recrutas do Exército participavam da operação de limpeza, e guindastes erguiam os vagões. Entre os mortos há muitas crianças e quatro estrangeiros (dois alemães e dois jordanianos), disse a CNN turca.
O diretor do sindicado dos transportadores, Fehmi Kutan, acusou as autoridades de negligenciarem a segurança e disse que parte dos trilhos modificados foi retirada antes que uma investigação adequada fosse feita. "Os responsáveis pelo desastre são o primeiro-ministro, o ministro dos transportes e a administração ferroviária", afirmou.
O engenheiro Aydin Erel disse ao Hurriyet que há 15 dias alertou para as falhas de segurança na ferrovia. "A infra-estrutura não é adequada a um trem rápido. Eu não entraria nesse trem e não deixaria que meus entes queridos o usassem", afirmou ele a uma conferência antes do acidente.
Outro jornal, o Vatan, publicou entrevista com o ministro dos Transportes, Binali Yildirim, feita horas antes do descarrilamento, em que ele dizia que o novo trem é perfeitamente seguro.
Na noite desta quinta-feira, Erdogan disse que o acidente talvez fosse inevitável. "Esse tipo de colisão pode acontecer em qualquer lugar do mundo", afirmou.