Rio de Janeiro, 31 de Outubro de 2026

Mídia lembra atentados e esquece golpe que afetou dois continentes

Segunda, 12 de Setembro de 2011 às 05:19, por: CdB

É certo que atingiu o coração do Império e que teve as piores consequências possíveis políticas e econômicas para o mundo nos últimos 10 anos, mas é certo esse desequilíbrio patrocinado pela mídia mundial?.

Para os atentados as torres gêmeas, ao Pentágono e outros daquele 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, a imprensa dedica (e há dias) páginas e páginas, na última semana e no sábado e domingo cadernos e cadernos; para os 38 anos do golpe militar no Chile e a morte do presidente Salvador Allende, parcas, míseras linhas, praticamente nada.

Ontem, 11 hs, à mesma hora em que há exatamente 38 anos o Palácio de La Moneda já estava destruído, reduzido a cinzas, e o presidente Allende morto, não havia uma palavra na mídia. Que parcialidade assustadora! E olha que foi um golpe militar que afetou um continente inteiro, a América Latina - ou dois, se contarmos a América do Sul  e a América Central!

Truculência pôs fim a  mais bela experiência socialista da história


Com seu golpe no Chile, o general Augusto Pinochet instaurou uma das mais sanguinárias ditaduras militares de que se tem notícia na história mundial, truncou e pôs fim de forma violenta ao governo socialista do primeiro e único marxista a chegar ao poder na América Latina pelas urnas, Salvador Allende. E a mídia trata com essa parcialidade!

De nossa parte, da parte do governo da presidenta Dilma Rousseff, temos como que a compensar, a carta que ela enviou ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na qual ofereceu a cooperação do Brasil no combate ao "extremismo violento" e à construção de uma "ordem internacional mais pacífica e justa".

Nossa presidenta, de forma feliz e muito apropriadamente expressou nossa solidariedade e pesar de toda a nação brasileira ao povo dos EUA - ao povo norte-americano, maior vítima daquela que foi a maior sucessão em série de atentados da história.

"A inspiração e a coragem exibidas pelo povo dos EUA"

"Creio que a maior homenagem que podemos prestar aos mais de 3.000 inocentes que pereceram naquela data é, tendo por inspiração a coragem exibida pelo povo dos EUA em face da tragédia, continuar a trabalhar, incessantemente, por um mundo de paz e desenvolvimento", diz chefe do estado brasileiro na carta.

A chefe do Estado brasileiro lembra ainda o discurso do presidente Obama no Cairo, em 4 de junho de 2009, quando o americano propôs um recomeço nas relações entre seu país e o mundo islâmico. Ela aproveitou para reiterar que compartilha a visão de Obama de que "o extremismo violento deve ser combatido em todas as suas formas" e cita o campo comum para isto desde a reconciliação entre o Ocidente e o mundo árabe, ao respeito à liberdade religiosa, aos direitos humanos e da mulher e a promoção do desenvolvimento econômico.

"Conte com o Brasil na construção dessa ordem internacional mais pacífica e mais justa", diz a presidenta no fecho de sua  mensagem a Obama. Foi feliz e oportuna também ao frisar isso, porque mesmo que o presidente norte-americano tenha dito ontem. no Marco Zero, em Nova York, não haver guerra contra o islamismo, na prática não é bem isso que parece.

 

 

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