A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de processar os 40 acusados de participação no esquema de compra de votos de parlamentares — o mensalão — causou repercussão na imprensa internacional na terça e quarta-feira. Alguns dos principais jornais e sites de notícias do mundo ressaltam a proximidade de muitos dos processados com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Reportagem publicada no The New York Times afirma que o escândalo de corrupção “paira como uma nuvem negra” sobre o presidente, apesar de sua popularidade se manter inabalada. A acusação contra o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, chamado de “arquiteto por trás da ascensão de Lula” e suspeito de ser o “chefe de uma organização criminosa”, aproxima a crise do Planalto, apesar do esforço do presidente para se manter distante do caso.
O jornal afirmou ainda que “poucas autoridades acusadas de corrupção vão para a cadeia” no Brasil, citando que o STF não aceitou as acusações criminais contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello, que segundo a publicação operava um “fundo secreto multimilionário”.
O NYT citou ainda o acidente envolvendo o Airbus da TAM, que causou as mortes de 199 pessoas em julho, como agravante para a crise do governo, lembrando que o episódio, que “mostra os problemas no sistema de aviação no país” renderam críticas a Lula por não ter agido para evitar a tragédia apenas dez meses depois de outro acidente aéreo de grandes proporções.
“O primeiro desafio sério à impunidade tradicionalmente usufruída por figuras públicas brasileiras”. Assim o britânico Financial Times define a abertura do processo criminal do mensalão. O consultor político José Luciano Dias, citado pelo jornal, afirma que “mais do que qualquer outro caso no passado, este ajudará a definir se as autoridades brasileiras estão ou não acima da lei”.
O jornal argentino Clarín destaca em sua edição desta quarta o processo por corrupção que será movido contra o publicitário Duda Mendonça, que teria estilizado a figura "Lulinha paz e amor" nas eleições de 2002.
O Clarín também liga o publicitário a vários políticos argentinos, como o ex-presidente Eduardo Duhalde, a quem o empresário brasileiro teria assessorado durante a campanha ao senado em 2001.
O jornal espanhol El Pais também se voltou para o caso afirmando que Dirceu era o “braço direito de Lula”. Segundo a reportagem, “o homem mais poderoso nos primeiros dois anos de governo”, será processado por “escândalos de corrupção”.
O site do jornal português Correio da Manhã deu grande destaque à ligação do ex-ministro José Dirceu com o presidente Lula. Em sua página principal, o diário português afirma que Dirceu é "considerado o principal responsável pela eleição de Lula da Silva a presidente e que tinha tanto poder nos primeiros 30 meses do seu governo que era chamado de czar".
O jornal também enfatizou a declaração do ex-deputado Roberto Jefferson, que teria dito que os ”40 ladrões já foram indiciados, agora só falta o Ali Babá", em alusão a Lula.