Por José Dirceu, em seu blog:Ao lado do registro que faço aqui no blog das manifestações de reprovação da presidenta da República, do procurador-geral e do ministro da Justiça, não poderia deixar de alertar, também, para a continuidade do comportamento dúbio da mídia brasileira nesses casos.Quando eles dizem respeito ao governo federal e áreas afins que tenham a ver com ele, um carnaval midiático, manchetes de 1ª e do alto das páginas internas e a máxima exposição e execração pública dos investigados e denunciados a partir do primeiro segundo do surgimento do fato, quando os implicados sequer foram julgados.O manto de proteção a qualquer ação contra o governo leva ao ponto de uma colunista hoje, num dos principais jornalões do país, o Estadão, dizer que "nada, nem o modus operandi da Polícia Federal, é mais grave do que as descobertas sobre o atrevido modus operandi dos corruptos". Quer dizer, se a denúncia ou ação é contra o governo, julgam defensável quaisquer métodos de ação da PF. Para ela, e para o jornal em que escreve, estão justificados.Já as denúncias, ou notícias sobre investigações de corrupção quando envolvem parentes de governadores ou lideranças da oposição, particularmente do PSDB, desaparecem do noticiário nacional - ou ficam no pé das páginas dos jornais ou nas páginas internas, perdidas em meio a publicidade. Na TV, então, nada, nenhuma palavra.É o que se constata, hoje, por exemplo, em relação à notícia de que a Justiça estadual paulista recusou a ação civil movida pelo Ministério Público (MP) contra denúncia de fraude na merenda em Pindamonhangaba, terra natal de Geraldo Alckmin (PSDB) e na qual um cunhado do governador, Paulo César Ribeiro, e mais 18 são réus.De acordo com o MP, Paulo seria, ainda, responsável pelo recolhimento de doações ilegais para campanhas eleitorais, em troca de benefícios recebidos da Prefeitura. O processo por improbidade administrativa foi protocolado na semana passada pela Promotoria, mas a 3ª Vara Cível de Pindamonhnagaba entendeu não ter competência para julgar o caso e caberá agora à Justiça federal decidir se aceita a ação processual.E a coisa é noticiada em pílulas: o Estadão dava uma nota ontem, o Folhão outra hoje... ambas sem maior destaque. Cadê o tratamento isonômico que a mídia deveria dar aos dois casos, como mandam as normas e a ética que deveriam reger sua prática diária?