Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Microbicida é o novo tratamento testado contra aids em Minas Gerais

Quinta, 28 de Abril de 2005 às 08:33, por: CdB

Um novo tratamento de combate ao HIV, o vírus da Aids, está sendo testado em voluntários, no estado de Minas Gerais. Trata-se do microbicida, um gel que, após aplicado na parte íntima do corpo antes das realções sexuais, seria capaz de matar o vírus.

Este método de prevenção é um dos assuntos de destaque discutidos no debate do VI Simpósio Brasileiro de Pesquisa em HIV/Aids (Simpaids), que acontece a partir desta quinta-feira indo até domingo. Um total de 300 especialistas brasileiros e dez dos Estados Unidos e Europa estarão em Ouro Preto (MG) para discutir os avanços no tratamento, as políticas públicas de prevenção e as pesquisas com vacinas. A palestra sobre esta forma de prevenção será proferida pelo médico norte-americano Ian McGowan, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do microbicida.

O processo está em fase final de teste, mas os médicos advertem que o microbicida deve ser usado junto com o preservativo, evitando a contaminação do vírus da Aids. O imunologista do Hospital das Clínicas, Jorge Andrade Pinto, um dos coordenadores do simpósio, afirma que a intenção é testar o microbicida em pacientes voluntários:

- O microbicida é muito importante na prevenção, já que o uso é prático, além do custo de produção da vacina ser muito maior - explicou.

A intenção dos imunologistas e infectologistas do Hospital das Clínicas é aproveitar o contato com os especialistas dos Estados Unidos que estão testando o microbicida, para que cedam o produto ao Hospital das Clínicas, com a finalidade de realizar testes.

Resultados

Especialistas do exterior e de outros estados brasileiros também vão ouvir em Ouro Preto relatos de uma experiência no tratamento da aids, que está dando resultado em Minas Gerais.

O imunologista Jorge Andrade Pinto destaca os bons resultados obtidos em três crianças com menos de seis meses infectadas pelo vírus da aids. Elas estão fazendo o uso há quatro meses do Kaletra, um dos medicamentos que compõem o coquetel. De acordo com o imunologista, os medicamentos estão sendo cedidos pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos.

- O medicamento era usado em crianças acima de seis meses de idade e em adultos. Os testes feitos em Belo Horizonte comprovam que a carga viral nas crianças infectadas vem diminuindo, comprovando sua eficácia - explicou.

Coordenador do Simpaids, o infectologista do Hospital das Clínicas Dirceu Greco, afirma que os especialistas reunidos em Ouro Preto vão debater a eficácia de 23 vacinas que vem sendo testadas em todo o mundo. Uma de origem norte-americana, está sendo estudada na Tailândia, é é uma das que poderão ser colocadas no mercado ainda neste ano.

O programa do governo brasileiro que fornece o coquetel de medicamentos da Aids para 340 mil pessoas também será debatido pelos representantes do Ministério da Saúde e de entidades não governamentais que participam de uma mesa redonda, no domingo. A polêmica será em torno do atraso na compra de medicamentos que compõem o coquetel no mês de fevereiro último, o que obrigou o governo brasileiro a comprar remédio da Argentina.

Segundo a Secretaria, em 2003 foram registrados 852 óbitos. Destes, 595 foram do sexo masculino e 257 do sexo feminino. Em 2001, a doença matou no Estado 859 pessoas e no ano seguinte o número de óbitos chegou a 810. Belo Horizonte e Curitiba foram as cidades escolhidas pelas Nações Unidas e pelo Ministério da Saúde para integrar o Centro Internacional de Cooperação Técnica en HIV/aids.

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