Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Michelle Bachelet enfrenta o segundo turno no Chile

Michelle Bachelet não conseguiu liquidar a eleição presidencial do Chile no primeiro turno, no domingo, e seu bloco de centro-esquerda ficou aquém de formar uma bancada expressiva no Congresso.

Segunda, 18 de Novembro de 2013 às 08:12, por: CdB
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Michelle Bachelet não conseguiu liquidar a eleição presidencial do Chile no primeiro turno
Michelle Bachelet não conseguiu liquidar a eleição presidencial do Chile no primeiro turno, no domingo, e seu bloco de centro-esquerda ficou aquém de formar uma bancada expressiva no Congresso, o que poderá complicar os ambiciosos planos da candidata socialista para redução das desigualdades econômicas. Mas o fato é que Bachelet se sobrepôs a outros oito candidatos e deve derrotar com facilidade a rival Evelyn Matthei, da coalizão governista, no segundo turno, em dezembro. Bachelet, que busca retornar à Presidência que ocupou de 2006 a 2010, ficou pouco abaixo dos 50% necessários para vencer a eleição ainda no primeiro round, tendo recebido pouco menos de 47%  dos votos. Matthei ficou em segundo, com 25%. Por causa do incomum sistema eleitoral chileno, que foi criado pela ditadura de Augusto Pinochet e garante uma inflada presença parlamentar para o segundo partido mais votado, a coalizão Nova Maioria, de Bachelet, nunca teve muita esperança de formar uma ampla maioria parlamentar. Mesmo assim, a ex-presidente esperava um resultado mais expressivo. Bachelet precisará conquistar políticos independentes para bloquear o poder de veto da direita. Ela também espera que os influentes movimentos sociais chilenos pressionem o Congresso a aprovar as reformas que ela propõe. O bloco de centro-esquerda conseguiu apenas a maioria simples para aprovar um aumento tributário destinado a financiar a reforma educacional. Segundo projeções, o Nova Maioria terá 67 dos 120 deputados e 21 dos 38 senadores. Na atual legislatura, como parte da oposição, tem 57 e 20, respectivamente. A reforma educacional, por exemplo, exigiria uma maioria qualificada de quatro sétimos. Para a reforma eleitoral, seriam três quintos, e para revogar a Constituição deixada pela era Pinochet é preciso reunir dois terços dos votos no Congresso. Mas, pelo sistema eleitoral instituído ao final da ditadura de Pinochet, a direita tem praticamente assegurada a continuidade do seu poder no Congresso. - O resultado irá certamente ser frustrante para Bachelet - disse Peter Siavelis, professor de ciência política da Universidade Wake Forest e autor de um livro sobre a política chilena. - Os movimentos sociais que foram para as ruas estão exigindo reformas, e no entanto os limites da estrutura institucional do Chile irão limitar a capacidade dela de se envolver em reformas. Embora Bachelet possa ser a vencedora desta noite, ela não está em posição invejável. No primeiro mandato de Bachelet, vários planos acabaram barrados no Congresso. Especialistas e aliados dizem que Bachelet se tornou depois disso uma negociadora mais dura, mas ela precisará de toda a sua destreza política para reunir apoio para seus planos, os quais também incluem a legalização do aborto sob certas circunstâncias e o fim de lacunas tributárias. O crescimento da bancada independente, incluindo a presença de alguns emblemáticos ex-líderes estudantis, pode ajudar a desequilibrar a balança em favor da presidente. - Ela terá de optar por um ministério mais abrangente, um ministério mais centrista - disse o analista político Guillermo Holzmann. "Se for demasiadamente para a esquerda, haverá polarização. Se houver polarização, aí as negociações com o Congresso serão mais complicadas. Acho que as reformas dela ainda são viáveis, mas a um ritmo diferente. Elas podem ser mais lentas." Desde o fim da ditadura, em 1990, o Chile vive uma fase de estabilidade e crescimento econômico, ao contrário de muitos outros países da região. Mas os gigantescos protestos estudantis, reivindicando ensino gratuito e de melhor qualidade, abalaram a reputação chilena como "criança prodígio" da América Latina e ilustraram a forte desconfiança da população em relação à elite política e à concentração de renda no maior país produtor de cobre do mundo. O país que Bachelet deverá assumir novamente está muito diferente daquele que ela deixou para assumir o comando da organização ONU Mulheres. Num sinal do que a aguarda, um pequeno grupo de estudantes tentou "ocupar" seu comitê de campanha na tarde de domingo. - Entendemos que nenhum governo, independentemente da sua força de vontade, irá gerar mudanças a partir de dentro institucionalmente, porque está concebido para evitar a mudança - disse um líder estudantil à rádio Cooperativa.
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