Rio de Janeiro, 26 de Abril de 2026

Michelle Bachelet chega às urnas como líder nas pesquisas

No seu último comício antes do 2º turno das eleições presidenciais deste domingo, a candidata Michelle Bachelet, que lidera as pesquisas de opinião, reiterou que será a 1ª mulher presidente do Chile. Cercada por ministros do governo do presidente Ricardo Lagos, parlamentares e do ex-primeiro-ministro Felipe González, da Espanha. (Leia Mais)

Sexta, 13 de Janeiro de 2006 às 09:42, por: CdB

No seu último comício antes do segundo turno das eleições presidenciais deste domingo, a candidata Michelle Bachelet que lidera as pesquisas de opinião, reiterou que será a primeira mulher presidente do Chile. Cercada por ministros do governo do presidente Ricardo Lagos, parlamentares e do ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González, artistas e família, ela apelou aos eleitores para que, no domingo, consagrem a proposta socialista nas urnas.

- Os que não votaram em mim no primeiro turno, podem confiar e ter esperanças e querem um país mais justo - disse ela.

Num discurso de cerca de quinze minutos, Bachelet voltou a elogiar o governo do atual presidente Ricardo Lagos, provocando aplausos na multidão, mas imprimiu sua própria marca.

- No meu governo direi sempre o que penso. Palavra de mulher - A platéia voltou a aplaudir.

Mas foram alguns dos raros os momentos de entusiasmo durante sua fala, marcada também pelo desabafo da candidata.

- A ditadura foi a época mais dura do país e da minha vida -  afirmou referindo-se aos anos de governo de Augusto Pinochet, entre 1973 e 1989.

Ela ainda citou vítimas daqueles anos, provocando comoção. Foi uma das poucas vezes em que a ex-ministra da Defesa e da Saúde do governo Lagos citou, tão explicitamente, ao público, sobre os dias em que foi presa, com a mãe, Ângela Jeria, agora com 79 anos, e quando seu pai, o general da Força Aérea, Alberto Bachelet, morreu na prisão. Segundo a própria Bachelet, o general foi preso e torturado após negar-se a colaborar com o governo Pinochet.

Ao lado da mãe e de dois dos três filhos, a candidata socialista, mãe solteira, agnóstica, médica que viveu o exílio na então Alemanha Oriental falou, uma vez mais, sobre o Chile que deseja.

 - Um país onde ninguém esteja condenado a viver na pobreza e onde todo trabalhador terá direito a salário decente, onde ninguém fique sem aposentadoria e onde as mulheres recebam o mesmo que os homens.

Numa clara estocada ao candidato adversário, nesta disputa eleitoral, o empresário Sebastián Piñera, ela afirmou que não fez promessas de campanhas, mas assumiu "compromissos" que cumprirá. Sentados logo atrás da candidata, vestida de calça comprida e blazer verde claro, estavam, além de ministros, como o da Fazenda, Nicolas Eyzaguirre, o ex-presidente Patrício Alwin, da Democracia Cristiana, a deputada Isabel Allende, filha do ex-presidente socialista Salvador Allende, morto no golpe liderado por Augusto Pinochet, em 1973, além de artistas chilenos, argentinos e espanhóis, como os cantores Ana Belén e Miguel Bosé. O comício terminou com algumas eleitoras emocionadas, bolas brancas no céu e nenhum registro de incidente.

Quase no mesmo horário, na noite de quinta-feira, em Valparaíso, cidade a 120 quilômetros da capital chilena, foi realizado o final da campanha do candidato Sebastián Piñera, da frente chamada "Alianza", formada por seu partido Renovação Nacional e UDI (União Democrata Independente), que apoiou o governo Pinochet. Piñera também prometeu um país mais igualitário, caso chegue a ocupar o Palácio presidencial de La Moneda. E reiterou que a frente governista Concertación "já ficou dezesseis anos no governo e não resolveu problemas como o desemprego".

E então perguntou à platéia, segundo a imprensa chilena:

- Merecem ficar mais quatro anos no governo?" Ao que o público teria respondido "não".

Antes do comício, acompanhado por artistas chilenos, ele liderou uma caminhada que saiu da casa do escritor Pablo Neruda, também citado no discurso de Bachelet. Piñera é um dos homens mais ricos do Chile, um dos principais acionistas de empresas aéreas e de comunicação, e prometeu vender seus negócios, caso seja eleito. Na tentativa de conquistar o voto feminino, ele insistiu na criação de um projeto que dará aposentadoria para as donas de casa, falando e explicando a proposta na sua propaganda mostra

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