Num Festival onde as questoes da adolescência e da terceira idade estão em destaque, a figura de Michel Piccoli é uma atração. Afinal, qual a idade de Piccoli ? Faz alguns anos, ele veio a Locarno apresentar um curta-metragem e já era um senhor idoso. E desta vez, ele ressurge, um pouco mais calvo, os cabelos brancos em torno do crâneo, e orgulhoso como sempre, num filme na competição contracenando com uma jovem atriz francesa, que debuta num primeiro filme A Rebelde ou L´Insurgée.
É verdade que para os grandes ídolos envelhecer nesta nossa época não é boa coisa. Tudo passa muito depressa e a maioria da juventude desconhece quem foi quem no passado, mesmo porque tudo mudou. A França nos legou dois desses grandes, que sobrevivem o passar das modas e a modernização do mundo. Curiosamente, ambos já foram casados no passado – Piccoli e Juliete Greco, duas espécies raras da época das caves de St. Germain, ainda em atividade, seja interpretando, seja cantando.
L´Insurgée é a história de uma adolescente orfã de 17 anos, na época da descoberta do corpo e do amor, nadadora profissional em busca de medalhas, e suas relações frias e tensas com o avô, músico e compositor, com quem compartilha a grande mansão onde vivem. Trata-se do primeiro longa-metragem de Laurent Perreau e sintetiza, de certa forma, o choque entre a geração de um Piccoli e da atriz Pauline Etienne, de um lado o passado com toda sua história e do outro o futuro para se afirmar.
Piccoli é o mesmo de todos filmes que fez, mesmo antes de Buñuel e, sentado com a equipe do filme, diante da imprensa, dá a impressão de um sobrevivente e, quando vai responder uma pergunta, existe uma expectativa para que não demonstre ter envelhecido e nem diga qualquer coisa capaz de comprometer a imagem já gravada no cinema francês.
Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026
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