É fato sabido que quando Michael Jackson morreu, na semana passada, ele estava se preparando para uma série de 50 concertos em Londres, que começaria este mês. O que pouca gente sabe, e que vem motivando especulações, é o tipo de gravações que o ídolo vinha fazendo nos últimos anos.
A Billboard descobriu que o cantor estava trabalhando em dois álbuns no momento de sua morte: um no veio pop que o tornou famoso e outro que consistiria em uma composição instrumental clássica. E, enquanto alguns pensam que o astro queria recapturar seus tempos de glória dos anos 1980 --ou resolver seus problemas financeiros--, as pessoas que trabalharam com ele recentemente dizem que ele era motivado por seus fãs e seus filhos.
Jackson estava trabalhando em um álbum pop com o compositor Claude Kelly e o astro de R&B Akon, que diz que Jackson estava motivado pelas vendas de ingressos para seus shows.
– Ele falou: 'meus fãs ainda estão aí fora. Eles ainda me amam. Ainda estão vivos' –, disse Akon. – Seus filhos eram sua primeira prioridade e nunca o tinham visto apresentar-se ao vivo. Ele estava tentando criar o espetáculo mais incrível para seus filhos –, contou.
Kelly, que escreveu Hold My Hand, a faixa de Jackson produzida por Akon que vazou no ano passado, afirmou que Jackson nunca perdeu sua paixão pela música. – Ele era o Rei do Pop, e uma coisa que você nunca perde --quer seja conhecido pelo mundo inteiro ou apenas por dez pessoas-- é o amor pela música –, disse Kelly.
– Isso nunca desaparece, e nunca desapareceu para ele, mesmo em meio a todos seus problemas.
O compositor David Michael Frank tinha trabalhado com Jackson num tributo a Sammy Davis Jr. feito para a TV em 1989 e recebeu uma ligação do assistente do astro, dois meses atrás, convidando-o a colaborar de novo.
Jackson convidou Frank a ir a sua casa em Holmby Hills, em Los Angeles, e lhe disse que estava trabalhando em um álbum instrumental de música clássica e pediu ajuda com a orquestração.
– Ele tinha dois demos de duas peças que tinha composto, mas não estavam completas –, diz Frank, acrescentando que ficou impressionado com o conhecimento de música clássica de Jackson.
– Para uma delas, ele tinha todo um trecho pronto na cabeça. Ele ainda não a tinha gravado. Ele a cantou para mim enquanto eu estava ao teclado, e a gente decifrou os acordes. Acho que essa gravação que fiz deve ser a única cópia dessa música que existe.
Algumas semanas atrás, Jackson telefonou para ver como Frank estava indo com as orquestrações. – Ele mencionou mais músicas instrumentais dele que queria gravar, incluindo uma de jazz –, disse Frank.
– Espero que algum dia sua família decida gravar essas músicas como tributo a ele e para mostrar ao mundo a profundidade de seu dom artístico.
Apesar dos questionamentos sobre a saúde de Jackson e seu impacto sobre sua dança e seu canto, as pessoas que colaboravam com ele afirmam que sua voz estava em ótima forma, apesar de sua aparência frágil.
O tecladista Greg Phillinganes, que trabalhou com Jackson como diretor musical da turnê Bad e apareceu em vários de seus álbuns, disse que a voz de Jackson estava tão boa quanto sempre
– Ele ainda tinha uma boa voz e nunca teve problemas para cantar –, afirmou Phillinganes, que falou com Jackson pela última vez em março.
– Havia dúvidas quanto a ele conseguir dar conta da série de concertos pelo lado da coreografia, mas fontes que trabalhavam com ele me disseram que ele estava dançando o tempo todo, todo dia, que estava muito focado, empolgado e decidido a fazer esses shows serem os melhores.