Rio de Janeiro, 02 de Abril de 2026

<i>Miami Vice</i> decepciona público do Festival de Locarno

Segunda, 07 de Agosto de 2006 às 08:37, por: CdB

Lançar um filme destinado a uma carreira comercial internacional num festival europeu conhecido por ter um público mais exigente, é um risco. Faz alguns anos, o Festival de Locarno não contava mais com o apoio das grandes distribuidoras americanas, o que não desagradava de todo nem a Marco Muller e nem a Irene Bignardi, ex-diretores, mais próximos do chamado cinema temático.

Em todo caso, a opção do novo diretor Frédéric Maire de começar o Festival de Locarno com a versão dos dois tiras em luta com traficantes, tema caro ao diretor Michael Mann, na qual surgem todos os ingredientes típicos (assassinatos em profusão, tiros com potência de bazuca, uma certa cumplicidade entre os bandidos e defensores da ordem, mais uma suspeita história de amor no limite da legalidade) não foi boa para a Universal.

Embora a Piazza Grande estivesse repleta (cera de 9 mil espectadores), Miami Vice, a grande atração do telão de 300 m2, numa noite quente de verão,  terminou por volta da meia-noite, sob um pesado silêncio de indiferença que nem as poucas vaias e aplausos  conseguiram encobrir. Se a imprensa americana já havia publicado algumas críticas ruins, agora é a vez das salvas da primeira bateria da imprensa européia, pois Locarno reúne a nata dos criticos alemães, italianos e franceses.

Para a Universal, que não enviou nem o diretor Michael Mann nem atores para prestigiar o lançamento do filme, embora estejam preparando o lançamento nos cinemas europeus, marcado para o dia 24, a reação do público locarnense pode ter péssimas repercussões, mesmo se a publicidade destinada a reforçar o lançamento espera atrair o grande público.

Para compensar, a Piazza Grande teve a exibição de um filme digno da tradição de Locarno - Indigènes - que obteve o prêmio de melhores atores, numa visão da participação dos árabes, na Segunda Guerra Mundial contra os nazistas, quando ainda seus países eram colônias francesas. Filme dirigido pelo argelino Rachid Bouchareb.

Estruturalmente, Indigènes tem o formato de um filme de guerra americano, com a diferença de que mostra um aspecto pouco conhecido da luta das tropas francesas fiéis a De Gaulle, integrantes dos Aliados, contra os nazistas - os africanos negros ou do Magreg, norte da África, eram soldados de segunda classe, bucha para canhão.

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