Em carta enviada ao presidente do Sudão, Omar Hassan al Bashir, a atriz norte-americana Mia Farrow ofereceu sua liberdade em troca da libertação de uma respeitada figura rebelde de Darfur que está virtualmente presa há mais de 13 meses.
O coordenador humanitário do Exército de Libertação do Sudão (SLA), Suleiman Jamous, se encontra confinado num hospital da Organização das Nações Unidas em Kordofan, vizinha a Darfur, desde que a ONU o transferiu para lá sem autorização, no ano passado. Jamous precisa de uma biópsia de estômago que não pode ser realizada no hospital.
Cartum disse que se ele deixar o hospital será preso, mas se declarou aberta a conversações para sua libertação.
"Antes de ser detido, Jamous exerceu um papel crucial em levar o SLA à mesa de negociações e buscar a reconciliação entre suas facções rivais divididas", disse Farrow na carta, datada de 5 de agosto.
"Por essa razão eu me ofereço para tomar o lugar de Jamous, para trocar minha liberdade pela dele, consciente de sua importância para os civis de Darfur e na convicção de que ele empregará suas energias na busca da paz justa e duradoura que o povo sudanês merece e pela qual anseia."
Farrow, que já foi casada com Frank Sinatra, é embaixadora da boa-vontade do Unicef, agência da Organização das Nações Unidas para as crianças, e já visitou o Darfur duas vezes. Ela tem 15 filhos, 11 dos quais adotados.
Especialistas internacionais estimam que 200 mil pessoas já morreram e 2,5 milhões foram expulsas de suas casas em mais de quatro anos de combates na região ocidental do Sudão.
Desde um acordo de paz mediado pela União Africana no ano passado e assinada por apenas uma das três facções rebeldes que participaram das negociações, os movimentos já se dividiram em mais de 12 facções.
O enviado da ONU a Darfur, Jan Eliasson, e seu colega da UA, Salim Ahmed Salim, disseram que pediram a libertação de Jamous para ajudar no processo de paz que lideram. Neste fim de semana eles reuniram facções e comandantes chaves para discutir uma posição comum antes da retomada das negociações de paz.
Mas a grande facção SLA-Unidade disse que não participaria das negociações se Suleiman Jamous não fosse libertado e autorizado a participar.