Um dos suspeitos ainda empunhava a faca usada para degolar o soldado britânico
Os dois suspeitos de terem matado o soldado britânico Drummer Lee Rigby, esfaqueado e degolado em uma rua de Londres - Michael Adebolajo, de 28 anos, e Michael Adebowale, de 22 - eram conhecidos dos serviços de inteligência britânicos. Rigbyera um soldado de 25 anos que combateu no Afeganistão. Na noite de sexta-feira, um amigo de Adebolajo foi preso após conceder uma entrevista ao programa Newsnight, da BBC. A Polícia Metropolitana de Londres disse que a prisão não está diretamente ligada ao assassinato do soldado.
Abu Nusaybah disse ao programa que Adebolajo teria rejeitado, há seis meses, uma proposta para trabalhar para o MI5, o serviço de inteligência britânico. A oferta teria sido feita depois que Adebolajo voltou de uma viagem ao Quênia, na África, de onde ele chegou com comportamento "diferente", segundo Nusaybah. Ele disse que Adebolajo teria dado indicações de que sofrera agressões físicas e abusos sexuais durante o interrogatório feito pela polícia no Quênia. Na semana que vem, o diretor-geral do MI5, Andrew Parker, deve prestar depoimento em um comitê parlamentar que investiga os indícios de que os serviços de segurança conheciam os suspeitos.
Na sexta-feira, a mulher do soldado morto, Rebecca Rigby, disse que conhecia os riscos que seu marido corria em países com conflito, como o Afeganistão.
– Eu não esperava que isso poderia acontecer aqui na Grã-Bretanha. Eu pensava que aqui eles (soldados) estavam em segurança – disse ela.
Ofensas a muçulmanos
Uma organização que promove a cooperação inter-religiosa na Grã-Bretanha afirma que vem registrando um aumento no número de ofensas contra muçulmanos desde o assassinato de um soldado britânico nas ruas de Londres, na quarta-feira. Os dois suspeitos de matar Rigby afirmaram em imagens que circularam o mundo nos últimos dias que suas ações foram motivadas pelo fato de que "soldados britânicos matam muçulmanos todos os dias".
O diretor da organização Faith Matters (Fé Importa, em tradução livre), que possui um disque-denúncia, disse à BBC que nos últimos dias a entidade recebeu 162 ligações sobre incidentes contra muçulmanos, como ataques a mesquitas, pichações e xingamentos.
– O preocupante é como esses incidentes estão se espalhando. Eles vêm de todas as partes do país. Também temos registrado um aumento deste tipo de atividade online, o que sugere uma coordenação de incidentes e ataques contra instituições onde muçulmanos se reúnem – afirmou Fiyaz Mughal à Rádio 5 da BBC.
Desde o ataque da quarta-feira, em Woolwich, no sudeste de Londres, a polícia prendeu pessoas acusadas de postar mensagens ofensivas contra muçulmanos em mídias sociais.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.