CIDADE DO MÉXICO, 14 JUL (ANSA) - A chanceler do México, Patricia Espinosa, reiterou a posição de seu governo a favor da medida dos Estados Unidos para controlar a venda de armas pela fronteira, mas alertou que "há muito mais para fazer" para deter o tráfico de armamentos para seu país.
"Sem dúvida, há muito por fazer para deter o tráfico de armas para o México", considerou a ministra mexicana das Relações Exteriores, ao se referir à decisão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos de introduzir novas normas para regulamentar a venda de armas.
A chanceler afirmou, porém, que as autoridades mexicanas reconhecem o esforço norte-americano e entendem a medida "como um passo positivo na direção correta".
A partir de agora, o comércio de grandes quantidades de rifles de assalto para compradores frequentes nos estados do Texas, Califórnia, Arizona e Novo México deverão ser informadas às autoridades norte-americanas.
Segundo a Organização das Nações Unidas, 70% das armas vendidas nesses estados acabam no país vizinho. Segundo o Washington Post divulgou em dezembro do ano passado, oito dos 12 fornecedores de armas aos carteis mexicanos estão localizados no Texas, onde há 3.800 vendedores varejistas de armas.
Em março, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, havia prometido ao seu homólogo mexicano, Felipe Calderón, a adoção de mecanismos para prevenir a compra de armas em grande quantidade para posterior traslado ao país vizinho.
Por sua vez, Espinosa ainda recordou ontem em coletiva de imprensa que o México está à frente das negociações na ONU para elaborar um tratado internacional para combater a proliferação de armamentos.
Ela tratou do tema ao lado de seu homólogo uruguaio, Luis Almagro, com quem se reuniu ontem para acertar os detalhes da visita oficial que o presidente do Uruguai, José Mujica, fará ao país.
De acordo com o jornal mexicano El Economista, na ocasião, ela ainda lamentou sobre a falta de informações por parte de Washington a respeito da operação "Rápido e furioso", que tinha como objetivo rastrear o fluxo ilegal de armas pela fronteira, mas permitiu neste ano a entrada de mais de duas mil armas no território mexicano com a anuência de agentes da inteligência norte-americana.
Integrantes do Escritório para Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF) dos EUA afirmaram em março deste ano que teriam recebido ordens superiores para permitir a passagens dos armamentos. O Departamento de Justiça dos EUA negou que a operação incluía estratégias de tráfico controlado e abriu uma investigação.
A operação tornou-se alvo de críticas após a descoberta de que duas armas que estavam sendo rastreadas pelas autoridades dos EUA foram encontradas no lugar onde foi assassinado o agente norte-americano de patrulha fronteiriça Brian Terry em dezembro do ano passado. (ANSA)
MÉXICO PEDE MAIS MEDIDAS PARA RESTRINGIR FLUXO DE ARMAS EM FRONTEIRA COM EUA
Quinta, 14 de Julho de 2011 às 06:44, por: CdB