Nesta quinta-feira, o metrô de São Paulo completa 35 anos de sua criação sem atingir a meta inicial de contar com 150 quilômetros de linhas até o ano 2000. A meta foi estipulada em setembro de 1974, quando a Companhia do Metropolitano de São Paulo iniciou suas operações. Em abril de 2003, a rede do metrô conta com apenas 57,6 quilômetros de extensão. "O metrô realmente avançou pouco de 1974 para cá. O principal problema é a falta de recursos, já que o país passou por muitas crises neste período. Além disso, apenas o governo investe no sistema", explica o diretor de operação do Metrô, Décio Tambelli. No dia 24 de abril de 1968, foi instituída a constituição da empresa. A primeira viagem foi realizada por uma composição protótipo no dia nove de setembro de 1972, entre as estações Jabaquara e Saúde. Em 14 de setembro de 1974, foi iniciada a operação do primeiro trecho de metrô do Brasil, ligando as estações Jabaquara e Vila Mariana, numa extensão de sete quilômetros. Hoje, o metrô, que transporta cerca de 2,5 milhões de pessoas por dia, aposta em novas linhas e ampliação das linhas existentes. "De cinco anos para cá, o sistema vem passando por grandes mudanças, mas ainda é pouco", afirma Tambelli. A Linha 5 (Lilás) foi inaugurada em outubro de 2002, ligando o Capão Redondo ao Largo Treze em seis estações. A linha não vinha atraindo muitos passageiros, o que levou a secretaria dos Transportes Metropolitanos a baixar o preço da tarifa. A partir de maio, a bilhete custará R$1,55 (nas outras linhas custa R$1,70). "O preço foi baixado para atender à população que utiliza a linha, que tem um poder aquisitivo mais baixo. Assim, pretendemos incrementar a demanda", disse Tambelli. O bilhete vendido na linha 5 poderá ser usado apenas nesta linha. Apesar da baixa freqüência, para o diretor de operação, a linha 5 foi um sucesso. Segundo ele, de quatro anos para cá a região do Capão Redondo se desenvolveu muito por causa do metrô. A linha 5 deverá ainda ser ampliada, ligando o Largo 13 à Chácara Klabin, mas não há prazo para isso. Uma nova linha do metrô, a 4 (amarela), que ligaria a Vila Sônia à Estação da Luz, está em fase de licitação, e vem enfrentando alguns problemas para sair do papel. Moradores da região do Butantã não querem a construção da linha, que traria, segundo eles, um desenvolvimento não necessário para a região. "Esta é atualmente a maior licitação do país, e é natural que haja problemas. Estamos trabalhando para superar essas dificuldades", contou Tambelli. A construção da linha amarela seria efetuada em duas fases. A primeira, com um custo de US$ 934 milhões arcados pelo governo do Estado, seria a construção dos 12,8 km da linha e as estações, colocando cinco destas em operação. Segundo o diretor, quando o contrato de licitação for assinado, o prazo para a construção será de 42 meses. Ele afirma que o contrato deverá ser assinado até o início do segundo semestre de 2003. A segunda fase, com um custo de US$ 328 milhões, teria investimentos da iniciativa privada. Segundo Tambelli, uma nova licitação seria feita para escolher um consórcio para operar o sistema. Ainda como tentativa de ampliar o alcance do metrô, a secretaria dos Transportes Metropolitanos, à qual o Metrô é vinculado, criou o Programa Integrado de Transportes Urbanos (Pitu), que prevê para os próximos 5 anos o acréscimo ao sistema metroviário de 91 quilômetros de linhas. Desse total, 28,6 quilômetros referem-se a linhas novas e 53 quilômetros a linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que seriam transformados em metrô de superfície. Dessa forma, o metrô passaria dos atuais 58,6 km para 140,2 km de extensão, chegando perto dos previstos 150 quilômetros.
Metrô de SP completa 35 anos sem atingir meta inicial de extensão
Quarta, 23 de Abril de 2003 às 13:47, por: CdB