Na próxima quinta-feira, o Metrô de São Paulo completará 35 anos. Em 1968, quando seu projeto foi concebido - o início das operações ocorreu em setembro de 1974 -, esperava-se que no ano 2000 a rede teria 150 quilômetros. Sob este aspecto, não há muito o que comemorar: os paulistanos contam com apenas 57,6 quilômetros, divididos em quatro linhas. E está longe de atender aos 10,4 milhões de habitantes da capital. Na Cidade do México, metrópole com características socioeconômicas e urbanas semelhantes às de São Paulo, o metrô começou a operar cinco anos antes e avançou quase quatro vezes mais. Hoje, há 200 quilômetros de rede, em 11 linhas. O sistema transporta quase 1,5 bilhão de pessoas por ano enquanto o paulista leva um terço disso. "O governo mexicano colocou o sistema de metrô como prioridade nacional e vem investindo na expansão da rede com verba federal desde a década de 60, o que não aconteceu no Brasil", afirma Peter Ludwig Alouche, assessor-técnico da presidência do Metrô de São Paulo. "É preciso considerar que a Cidade do México é a única metrópole, além de ser a capital do governo. O Brasil tem muitas metrópoles." A Linha 1 (Jabaquara-Santana) teve verba municipal, a Linha 2 (Ana Rosa-Vila Madalena), federal e estadual e a Linha 3 (Barra Funda-Corinthians-Itaquera), só estadual. A mais nova, a Linha 4 (Capão Redondo-Largo 13), foi a primeira a ter dinheiro de fora dos cofres públicos. A primeira fase da Linha 4 vai custar US$ 786 milhões, sendo US$ 418 milhões financiados pelo Banco Mundial e pelo Japan Bank International Corporation. Outros US$ 15 milhões serão pagos pela Prefeitura para fazer a Estação Faria Lima. A obra na linha inteira vai usar US$ 1,26 bilhão. "Cinco anos atrás, os bancos não financiavam metrôs, mas começaram a notar que são um bom recurso para desenvolver as regiões", diz Alouche.