O presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP) e professor de Economia da Universidade de São Paulo (USP), Heron do Carmo, considera muito ousada a meta de crescer 7% em média ao ano entre 2010 e 2015, prevista pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade divulgou um Mapa Estratégico para a Indústria com estimativas econômicas para os próximos 10 anos.
Para o economista, é perfeitamente possível manter o crescimento entre 5% e 6¨% ao longo desse período.
- Crescer 7% para uma economia do tamanho da brasileira é uma meta muito ousada. O Brasil já passou por uma fase de crescimento muito elevada, mas em outra conjuntura e também a partir de um PIB mais baixo - destacou.
Em relação ao crescimento do PIB industrial, a expectativa é de uma taxa média de 7% ano até 2010 e 8,5% ao ano até 2015. Heron do Carmo avalia como pouco provável que a indústria cresça a essas percentagens no período. Ele acredita que esse patamar é incompatível com um crescimento entre 5% e 6%.
- Com uma meta para um intervalo de tempo no futuro, a questão é como chegar lá. É construir as condições para atingir essa meta. Um crescimento um pouco menor seria perfeitamente possível a partir das condições já criadas, a partir da melhora da base que nós já dispomos no momento - afirmou.
O economista afirma ser pouco provável que também a carga tributária caia a percentuais muito reduzidos, em razão da necessidade do governo investir em políticas sociais. O estudo da CNI indica que a carga tributária fique em 33% do PIB em 2007, 30% em 2010 e chegue a 27% em 2015.
- Ela até pode ficar em torno de 30% e 32% do PIB, mas acho pouco provável que haja uma redução mais significativa, dada a carência ainda de investimentos em infra-estrutura, saúde, educação, e em razão das necessidades da diminuição da desigualdade social. Isso vai levar o governo a reduzir lentamente a carga tributária.
Quanto à redução das taxas de desemprego para 9% em 2007 e 6% em 2015, Heron considera viável, desde que haja flexibilização da legislação trabalhista para a formalização do mercado de trabalho.
- Taxa de desemprego na nossa condição atual é diferente da taxa em uma situação de maior flexibilidade. Havendo uma mudança de cenário dessa regulamentação do mercado de trabalho, isso pode acontecer.
Metas do setor industrial são muito ousadas, diz economista
Quarta, 27 de Abril de 2005 às 13:54, por: CdB