A categoria promete intensificar pressão para a conquista de aumento real
Por: Leticia Cruz, Rede Brasil Atual
Publicado em 21/07/2011, 14:03
Última atualização às 14:03
TweetAumento real com reposição da inflação, licença maternidade de 180 dias e organização no local de trabalho são algumas das reivindicações (Foto: Letícia Cruz/RBA)
São Paulo - Representantes dos 14 sindicatos filiados à Federação dos Sindicatos dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (FEM-CUT) entregaram, nesta quinta-feira (21), a pauta de reivindicações da campanha salarial deste ano. A categoria marcou a ocasião com um ato em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na região central de São Paulo, com discursos dos dirigentes e trabalhadores sobre as metas para o início do calendário de luta.
Estiveram presentes metalúrgicos das cidades de Taubaté, Sorocaba, Cajamar, Monte Santo, Salto, Itaquá, São Carlos, Matão e do ABC. Eles ocuparam as imediações do prédio da Fiesp com cartazes e faixas que sustentam a pauta apresentada, apostando na união no estado e na condição do avanço imediato das pautas sociais.
O presidente da Federação dos Sindicatos Metalúrgicos de São Paulo (FEM-CUT), Valmir Marques, o Biro Biro, abriu as falas ressaltando a importância da união das entidades na campanha salarial que segue. "A campanha deste ano tende a ser muito difícil, pelas reivindicações que iremos apresentar. Mas não podemos esmorecer em momento algum", disse.
Principais reivindicações dos metalúrgicos da CUT Reposição integral da inflação; Aumento real no salário;Valorização nos pisos salariais;Licença Maternidade de 180 dias;Ampliação nos direitos sociais;Organização Sindical no Local de Trabalho;Jornada de 40h semanais, sem redução no salário.O dirigente considerou fundamental a intensificação da luta pela licença maternidade de 180 dias, redução de jornada de trabalho para 40 horas semanais e a amplicação da organização no local de trabalho, itens em pauta na campanha. "Com a capacidade de luta que temos, não podemos ficar para trás. Que esta campanhha salarial sirva de referência também às outras categorias e que possamos sair daqui fortalecidos", pontuou Biro Biro.
Questão essencial para os trabalhadores, o aumento real foi lembrado pelo presidente da CUT São Paulo, Adi dos Santos Lima. "Será que vamos baixar a cabeça e aceitar somente a inflação?" O sindicalista relembrou a polêmica criada por economistas ligados ao mercado financeiro e por setores da imprensa – com ecos até no Banco Central – de que aumento salarial traria aumento na inflação. Os metalúrgicos pedem reposição da inflação e aumento real – os percentuais devem ser definido por cada grupo de negociação.
A FEM negocia com diferentes bancadas patronais, divididas nos seguintes setores:
Montadoras (ABC paulista, Taubaté e São Carlos);Fundição; Estamparia;Grupo 2 (máquinas e eletrônicos);Grupo 3 (autopeças, forjaria, parafusos);Grupo 8 (trefilação, laminação de metais ferrosos; refrigeração, equipamentos ferroviários, rodoviários entre outros);Grupo 9 (antigo G10 - reúne os sindicatos patronais dos setores de lâmpadas, equipamentos odontológicos, iluminação, material bélico entre outros).Total: 250 mil metalúrgicos em todo o Estado
Para Adi, os metalúrgicos devem servir de espelho para outras categorias, como bancários, petroleiros e químicos, cuja data-base também ocorre no segundo semestre. Para os sindicalistas, considerando-se o crescimento econômico no país, a resistência a conceder reajuste faz parte da "choradeira patronal".
Adi pontuou também o problema de uma possível "desindustrialização" – apontada pelos sindicalistas durante seminário sobre crescimento e qualidade de emprego – que pode acontecer decorrente às massivas importações.
"É fundamental que tenhamos o aumento do emprego. Mas precisamos também olhar a questão da qualidade deles", destacou. A posição das entidades é de inserir o tema em mesas de negociação. No início do mês, a sindicatos ligados à CUT e à Força Sindical reuniram 30 mil metalúrgicos em ato na Rodovia Anchieta, na divisa entre São Paulo e São Bernardo do Campo, contra as importações e concentração de emprego no exterior.
Organização no trabalhoNesta quinta-feira, completam-se 30 anos da criação da primeira comissão de fábrica, na Ford. Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, comemorou a data. "Esta conquista não é só dos trabalhadores da Ford, porque a partir da experiência de quando os metalúrgicos de lá entraram em processo de negociação sobre o futuro nas montadoras, outras fábricas começaram a aderir", lembrou.
"É a ousadia da categoria na luta da transformação sindical, uma das propostas da CUT", disse Nobre. Ele ressaltou a importância da conquista já que, para ele, "alguém tem de dialogar". "Tem gente com a cabeça pequena em alguns setores do empresariado que acha que trabalhador não tem o direito de falar sobre seu serviço", completou.
A ampliação e regulamentação dos Comitês Sindicais nas Empresas (CSEs) está incluída entre os itens da pauta.