Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Mesters em Dourados

Quarta, 21 de Setembro de 2011 às 09:20, por: CdB

Navéspera de seus 80 anos, Mesters impressiona e surpreende. Com muita ternura esabedoria, dispondo conhecimento bíblico e seu compromisso com o projeto deVida de Javé.

Comos Kaiowá Guarani

Aovir a Dourados, não o poderia fazer sem estar, por pouco tempo que fosse, comos mais desprezados e condenados desta região, os Kaiowá Guarani. Em sua visitapode sentir um pouco do sofrimento desse povo. A casa de reza (oga pisy)caindo, é, talvez, um símbolo do impacto com uma sociedade que vai destruindo einviabilizando a outra. Ali ele pode sentir o que sente um povo ligadointimamente à natureza, à floresta, aos rios e todas as formas de vida, ao serconfinado. É como o cupim que vai roendo os esteios por dentro, deixando a casatão fragilizada que não resiste aos ventos mais fortes. Mesters viu, sentiu,gravou no seu coração o sofrimento do povo Guarani, que hoje tem em suasaldeias mais assassinatos, suicídios, atropelamentos, homicídios, do que osdemais povos indígenas do país juntos.

Mesterstambém pode observar e sentir "povos da resistência”, que mesmo no cativeiro,não desanimam de seus sonhos, de seus projetos de vida e felicidade. Fazemmemória, lutam, buscam reconstruir sua autonomia, especialmente alimentar. Aovisitar a experiência apoiada pela diocese de Dourados, Vida Kaiowá, podeperceber o longo e difícil caminho da reconstrução da economia Guarani Kaiowá,numa situação de confinamento. Mas Deus não abandona seu povo. A casa de rezapode estar caindo, mas a profunda espiritualidade não os deixará se abater.

Acausa indígena tem sido abraçada com muito carinho por Frei Carlos Mestersdesde a década de setenta, tendo assessorado o Cimi em suas reflexões na buscano compromisso solidário e testemunho profético junto aos povos indígenas. Eleestará contribuindo com nossas reflexões sobre os 40 anos da entidade, na AssembleiaNacional no início do próximo mês.

Bíbliae Ecologia

A reflexão sobre a ecologiaé urgente e oportuna, no coração do agronegócio. Em alguns municípios adestruição da mata nativa chega a 98%, como no município de Juti. Em média oque resta da rica floresta dos ecossistemas da Mata Atlântica e cerrado, nãopassa de 8%. Uma situação que vem se agravando com o sistema de produção damonocultura que joga toneladas e toneladas de veneno e produtos químicos naterra todos os anos. Os rios vão morrendo, a mata se acabando, e a terradestruída, arrasada. E onde ficam os índios nessa situação? Sem suas terrastradicionais, eles vivem hoje uma das piores situações dos povos nativos hoje,em termos mundiais. Mesters lembrou essa realidade "para a qual não poderemosfechar os olhos”. E perguntou "O que nós estamos fazendo, diante dessa realidade?”

Oseminário "Bíblia e Ecologia”, organizado pelo CEBI (Centro de Estudos Bíblicos)de Dourados, teme uma expressiva participação de pastorais, movimentos daigreja e sociais, interessados em aprofundar a visão bíblica sobre a natureza,ecologia, e buscar compromissos com a mudança urgente e radical do nossosconceitos, ações e sociedade. Nesse aspecto os quase 200 participantes tiveremuma oportunidade rara de abrir sua mente e coração, se despojar de todas asformas de fundamentalismos e se alimentar na fonte e fortalecer a dimensãolibertadora do nosso compromisso cristão com a Vida.

Parainício das reflexões nada melhor do que ouvir Leonardo Boff falando sobre as 4ecologias. Ele deixa clama com a terra que não aguenta mais tamanha destruição."Essa sociedade não é boa...; precisamos criar novas relações com a mãe terra,senão teremos grandes devastações. O grito angustiante é de mudanças urgentes eradicais, ou pereceremos todos, com a terra.

Emvários momentos, olhando para a nossa sociedade e olhando para a desgraceiraque estamos fazendo com a mãe terra, ele disse "temos muito que aprender dosíndios... A natureza é a palavra de Deus...”.

Ojeito simples e vivencial de transmitir sabedoria faz de Mesters um mestre etestemunho por onde passa... O Deus da Vida e os povos agradecem!

Cimi,equipe Dourados

CampanhaPovo Guarani Grande Povo, véspera da primavera de 2011

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