O Banco Central Europeu (BCE), mesmo sofrendo pressões, recusa-se a aumentar os juros e reafirma que a inflação tem como causa o aumento dos preços do petróleo e dos alimentos, numa posição que contrasta com a histeria de alguns setores de nossa midia e oposição.
Vejam, esta posição do BCE precisa ser destacada e analisada já que ela contesta dogmas que aqui são apresentados como verdade irrefutável, eterna e universal. Ao reafirmar a política monetária da União Européia (UE), o presidente do BCE, Jean Claude Trichet, dá uma lição a nossos ortodoxos e mesmo a alguns diretores de nosso Banco Central (BC).
Para Trichet a prioridade da Europa é a estabilidade fiscal, a redução da inflação para uma meta de 2% - ela está em 2,8% - e manter os juros em 1,25%. Isso mesmo, eles estavam em 1% e foram aumentados em 0,25% recentemente.
Na prática, o que quer dizer isso? Que a Europa, assim como os Estados Unidos, retira do núcleo da inflação o aumento do petróleo e dos alimentos e se concentra no ajuste fiscal. Ela não quer utilizar uma política monetária que agravaria ainda mais não apenas a recessão em muitos países, como a situação fiscal de alguns deles como Portugal e Grécia, ameaçados de falência e que estão, na prática, reestruturando suas dívidas públicas.
No final de sua fala o presidente do BCE pediu reformas estruturais. Como vemos, a causa da inflação e do déficit fiscal altíssimo da maioria dos países da UE não esta apenas na política fiscal ou monetária, mas em problemas de competitividade e produtividade das economias da Zona do Euro.
Mesmo sob pressão, BCE se nega a elevar juros
Sexta, 06 de Maio de 2011 às 08:04, por: CdB