Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026

Mesmo com protestos contra presidente, partido governista de Angola diz apoiar iniciativas da sociedade civil

Terça, 13 de Setembro de 2011 às 05:44, por: CdB

Alex Rodrigues
Repórter Agência Brasil

Brasília - Um dia após a Justiça angolana condenar 18 jovens presos durante protestos contra o presidente José Eduardo dos Santos, o primeiro-secretário do Movimento Popular de Libertação da Angola (MPLA), Ernesto Muangala, declarou que o partido governista apoia iniciativas da sociedade civil.
 
“Nosso partido, em seu programa, considera a liberdade de associação como uma condição indispensável à democracia na busca de soluções concretas para os problemas que dizem respeito à vida das comunidades”, salientou Muangala, segundo a agência pública de notícias Angola Press. Além de primeiro-secretário do partido, Muangala também é governador do estado de Luanda Norte.

Ainda de acordo com a agência, Muangala reconheceu que seu partido – o mesmo do presidente Santos – tem de ser mais imaginativo para inspirar e apoiar as iniciativas da sociedade civil angolana. O primeiro-secretário da legenda destacou que, além de aperfeiçoar os mecanismos de participação popular na vida partidária, o MPLA defende que o Estado reconheça o valor insubstituível da iniciativa cidadã, apoiando e estimulando as diversas formas de engajamento na reconstrução e desenvolvimento de angola.

O grupo de 21 jovens julgados ontem (12) foi preso no último dia 3. O julgamento, cercado por um forte esquema de segurança, teve início na última quinta-feira (8). A Polícia Nacional justificou as prisões alegando que os manifestantes promoveram a desordem pública ao desrespeitar os pré-requisitos impostos pelas autoridades que autorizaram a realização da marcha.

Durante o primeiro dia de julgamento, a Polícia Nacional voltou a reprimir protestos registrados em vários pontos da capital e mais manifestantes foram presos. Entre os detidos estava o líder da juventude do partido de oposição União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), Mfuka Muzemba.

Para hoje (13) está previsto o início do julgamento de mais 30 jovens presos por fazerem protesto de solidariedade ao primeiro grupo.

Santos é, hoje, o líder africano há mais tempo no cargo. Ele está na presidência do país desde 1979. Desde abril de 2002, quando a União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita) e o MPLA puseram fim à guerra civil que já durava 27 anos e tirou a vida de centenas de milhares de pessoas, houve apenas uma eleição legislativa, em 2008. Novas eleições estão previstas para o ano que vem.

Os jovens angolanos exigem que José Eduardo dos Santos deixe a presidência do país e pedem a instalação de um regime democrático.

Ontem (12), em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o ministro da Defesa de Angola, Candido Van-Dúnem, disse que o governo não teme uma onda de protestos. Ele negou excessos na prisão dos jovens, frisando que, em seu país, as manifestações são permitidas, desde que respeitem a legislação. “Qualquer ação [punitiva] que possa decorrer de desacatos protagonizados por indivíduos ou grupos de cidadãos encontra respaldo na lei.”

Desde o início deste ano, uma série de protestos tem tomado países como a Líbia, a Tunísia, a Síria, o Iêmen e o Egito. Algumas dessas manifestações levaram à queda de líderes como Hosni Mubarak (Egito) e Zine El Abidine Ben Ali (Tunísia) – que se perpetuavam há décadas no poder.

 

Edição: Lílian Beraldo

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