Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Mesmo com Exército, Pará sofre com violência

Terça, 22 de Fevereiro de 2005 às 17:47, por: CdB

Apesar da megaoperação montada com o apoio do Exército no Pará, em menos de dez dias a Polícia Civil já registrou seis mortes depois da execução da missionária norte-americana, Dorothy Stang. A mobilização, no entanto, resultou na prisão de três suspeitos e apreensão de uma arma que teria sido usada no assassinato da freira.

- Podem mandar quantos batalhões do Exército quiserem que vai ser difícil acabar com as mortes. Tem que prender os mandantes e acelerar o andamento dos processos judiciais para acabar com essa situação (de conflito) - afirmou à Reuters por telefone o Ouvidor Agrário do Pará, Otávio Marcelino Maciel.

Apesar das prisões dos três suspeitos, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, apontado como mandante, ainda não foi encontrado.

Nesta terça-feira, foi encontrada a arma que teria sido usada na morte de irmã Dorothy, executada com seis tiros no dia 12 de fevereiro, em Anapu. A arma foi achada na casa de Moura.

O advogado do fazendeiro, por seu lado, afirmou à Polícia Civil que seu cliente não tem intenção de se entregar.

- O advogado falou que ele foi contatado pelos familiares e acredita que ele já esteja em região de fronteira. Esse advogado conta com a revogação da prisão preventiva do suspeito - disse o delegado de Altamira, Pedro Monteiro, à Reuters por telefone.

Segundo a polícia, Rayfran das Neves Sales, apontado como executor do crime e preso na noite de domingo, confirmou em depoimento que Moura seria o mandante do assassinato. Rayfran também assumiu, em depoimento à polícia, a execução de Dorothy.

Além desse suspeito, foram presos Amair Feijoli da Cunha, o "Tato", acusado de ser o intermediário, e Clodoaldo Carlos Batista, suspeito de ser o segundo executor da missionária, detido na noite de segunda-feira.

Ao mesmo tempo em que a polícia investiga a morte da missionária naturalizada brasileira, as execuções de dois fazendeiros, dois sindicalistas e de dois colonos em municípios que ficam na área de conflito agrário também estão sendo apuradas.

As últimas mortes divulgadas pela polícia foram as dos fazendeiros Antenor Marques Pinto, 59, assassinado a tiros quando chegava a sua fazenda, em Parauabebas, e a de Alon Sérgio Rodrigues Ávila, em Eldorado dos Carajás. No ataque de um grupo armado, a mulher de Rodrigues Ávila ficou ferida.

A violência agrária no Estado, que ganhou forte evidência com a morte de irmã Dorothy, também levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a baixar um pacote de medidas ambientais na semana passada para tentar deter os conflitos.

Lula culpou empresários do setor madeireiro pelas mortes recentes no Para. "A morte da freira e dos sindicalistas é uma atitude pensada de alguns empresários do setor madeireiro que estão revoltados com a política que nós estamos fazendo no Estado do Pará", disse o presidente nesta terça-feira.

Tática de paz

Parauapebas, onde o fazendeiro Antenor Marques Pinto foi assassinado na noite de segunda-feira, é um dos 12 municípios paraenses onde o Exército mantém efetivos em ações de patrulhamento.

A operação militar que envolve mais de 4 mil homens é considerada a maior ação de pacificação já realizada por forças terrestres federais na região.

- A nossa ação tática é de paz. Em termos de operação militar, esse é o maior efetivo já utilizado na Amazônia em ações desse tipo - informou um porta-voz do Exército em Altamira.
Os militares especializados em operações táticas na floresta foram descolados de batalhões de infantaria e selva de Altamira, Belém, Tucuruí, Itaituba e Marabá, no Pará, de Imperatriz (Maranhão) e Manaus, no Amazonas.

Os soldados fazem patrulhamento nas ruas das cidades e auxiliam o trabalho de investigação das Polícias Civil e Federal. Sete aeronaves do Exército dão apoio para o deslocamento na região. Segundo o Centro de Comunicação Social do Exército, a central de denúncias c

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