O presidente boliviano, Carlos Mesa, pressionado por protestos que paralisaram o país, disse no final da noite nesta terça-feira que vai pedir ao Congresso que antecipe as eleições presidenciais para agosto.
- Essa é a única maneira de evitar um banho de sangue. Eles ataram minhas mãos de todas as maneiras me impedindo de seguir em frente. Fizemos tudo que podíamos - disse Mesa.
A Bolívia vem passando há semanas por bloqueios nas estradas feitos por manifestantes indígenas que se opõem às políticas econômicas de Mesa. Os bloqueios provocaram problemas de abastecimento em várias cidades e vêm custando milhões de dólares ao país todos os dias.
Atualmente as eleições estão marcadas para junho de 2007. Segundo analistas legais, Mesa é impedido por lei de disputar o pleito. O presidente boliviano anunciou ainda que vai retirar o projeto de reforma do setor energético que é a principal causa dos protestos. O projeto pretendia permitir mais investimentos externos nas vastas reservas de gás natural do país.
Na semana passada Mesa ameaçou renunciar em resposta as manifestações contrárias a ele e nesta terça-feira ele acusou o Congresso de não lhe dar o apoio de que necessita para continuar no poder.
-A Bolívia está a caminho do suicídio coletivo - disse Mesa.