Rio de Janeiro, 31 de Outubro de 2026

Merkel fecha acordo sobre energia renovável com o Brasil

Brasil e Alemanha firmaram, nesta quarta-feira, acordos de cooperação nos setores energético e ambiental, durante encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, no Palácio do Planalto. (Leia Mais)

Quarta, 14 de Maio de 2008 às 09:27, por: CdB

Brasil e Alemanha firmaram, nesta quarta-feira, acordos de cooperação nos setores energético e ambiental, durante encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, no Palácio do Planalto. Esta é a primeira escala da premiê alemã pela América Latina. Na mesma cerimônia, seguida de declaração à imprensa, os dois países vão renovar a parceria estratégica estabelecida em 2002 na visita ao Brasil do então chanceler Gerhard Schröder.

Sobre o acordo na área ambiental, a Alemanha vai destinar 40 milhões de euros para financiamento de três projetos na região amazônica (manejo florestal sustentável, Fundo para Áreas Protegidas e Projeto Arpa II em Áreas Protegidas). Já em relação ao acordo energético, o documento prevê a manutenção do acordo nuclear firmado pelos dois países em 1975 e a criação de um grupo de trabalho sobre biocombuistíveis.

Antes da assinatura dos acordos, Lula e Merkel se reuniram reservadamente para discutir questões sobre biocombustíveis e mudança do clima, o andamento das negociações da Rodada Doha, comércio e investimentos, e a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Após a solenidade, ambos seguiram para o Itamaraty, onde a chanceler alemã será homenageada com um almoço oferecido pelo governo brasileiro.

Recado de Chávez

Após a visita ao Brasil, Merkel segue por um tour pela capital peruana, onde participará da 5ª Cúpula União Européia-América Latina nos dias 16 e 17 deste mês, seguindo para Colômbia e México. Às vésperas de seu encontro com os chefes de Estado latino-americanos, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que a chanceler alemã pertence "à mesma direita que apoiou Hitler". Merkel havia dito, anteriormente, que o presidente venezuelano não fala em nome da América Latina.

Merkel recusa-se a alimentar uma polêmica com Chávez. Por meio do porta-voz do governo alemão, Thomas Steg, a chanceler disse apenas que não tinha nada a acrescentar sobre o que já havia dito anteriormente a respeito de Chávez. Numa entrevista à agência de notícias DPA, Merkel disse ainda que a política externa alemã se ocupou pouco da América Latina nos últimos anos, apesar de a região passar por um momento de crescimento econômico.

- Os países da América Latina são importantes parceiros políticos e econômicos - destacou.

Mais provocações

Merkel havia dito também que não vê no "nacionalismo esquerdista" de Chávez um modelo para a melhoria das condições sociais na América Latina. Ela disse que a posição do presidente venezuelano não vai afetar as relações entre europeus e latino-americanos a longo prazo.

- O presidente Chávez não fala pela América Latina. Cada país tem sua própria voz, com a qual persegue seus interesses. Também o povo venezuelano tomou uma posição com o 'não' no referendo - afirmou Merkel.

No programa de televisão Aló Presidente, desta terça-feira, Chávez disse ainda que não sabe se participará da cúpula de Lima. Ele voltou a provocar a chanceler alemã perguntando se ela também o mandaria calar a boca caso fosse ao encontro. Foi uma referência às palavras do rei espanhol Juan Carlos durante a Cimeira Ibero-Americana, no Chile, em 2007. O monarca reagiu dessa maneira às várias intervenções de Chávez durante um discurso do primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

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