Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

Merkel, após eleição apertada, busca apoio da centro-esquerda para coalizão

Os líderes do Partido Social Democrata (SPD, na sigla em alemão), de centro-esquerda, declararam apoio por unanimidade pelo início de negociações formais com o grupo conservador da chanceler Angela Merkel para a formação de uma coalizão, disse o presidente da sigla, Sigmar Gabriel, nesta quinta-feira.

Quinta, 17 de Outubro de 2013 às 11:10, por: CdB
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Os conservadores emergiram como forças dominantes na eleição geral de 22 de setembro na Alemanha
Os líderes do Partido Social Democrata (SPD, na sigla em alemão), de centro-esquerda, declararam apoio por unanimidade pelo início de negociações formais com o grupo conservador da chanceler Angela Merkel para a formação de uma coalizão, disse o presidente da sigla, Sigmar Gabriel, nesta quinta-feira. Falando após uma terceira rodada de conversas exploratórias entre as duas partes, Gabriel disse que as negociações estão previstas para começar na próxima quarta-feira. Membros do partido de Merkel, a União Democrata Cristã, e do aliado da Baviera, a União Social Cristã, confirmaram o acordo. Os conservadores emergiram como forças dominantes na eleição geral de 22 de setembro na Alemanha, mas precisam de um novo parceiro para uma coalizão, pois o parceiro anterior, o Partido Liberal Democrático (FDP) não conseguiu a margem mínima de 5% dos votos para entrar no Parlamento alemão. O Partido Verde por sua vez, anunciou na noite passada que não negociará mais com a União Democrata Cristã (CDU), legenda da chanceler federal Angela Merkel, para a formação do novo governo germânico. Sem o FDP e com os verdes agora fora das negociações, a CDU volta-se voltar para o SPD na tentativa de editar uma nova chamada "grande coalizão", que sustentou o primeiro governo Merkel, entre 2005 e 2009. Após cerca de seis horas de negociações em Berlim na noite de terça-feira, os líderes do Partido Verde Claudia Roth e Cem Özdemir disseram que, apesar das conversas construtivas, algumas contradições impossibilitam a formação de uma base sólida para uma coalizão com a CDU. – Nós não encontramos nenhum denominador comum – disse Anton Hofreiter, um dos líderes da bancada verde no Parlamento. Ele ressaltou diferenças de opinião em relação à regulamentação bancária, energia, salário mínimo e outras questões sociais como os empecilhos para a formação de uma coalizão. Cor do vestido As negociações políticas na Alemanha desce a detalhes. Um dia depois das eleições, em plena primavera, Merkel, de azul, não deu margens para especulações sobre a coalizão que necessitaria para governar, após conhecido o resultado que lhe foi favorável na medida certa para não o fazer sozinha, sem negociar com as demais forças políticas do país. Na manhã após a eleição, Merkel deve ter feito uma curta pausa diante do guarda-roupa. Seu já tradicional blazer existe em todas as cores, mas nenhuma parecia ser apropriada. Ela deve ter pensado: "Vermelho não dá, verde também não, então o que fazer?" E no fim decidiu-se por um azul petróleo – neutro o suficiente para não dar margem a qualquer tipo de especulação sobre as iminentes negociações para formar uma coalizão de governo. Merkel e seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), estão procurando o parceiro de coalizão que melhor "combine" com eles. Seus aliados no atual governo, os liberais (FDP) foram simplesmente descartados nas urnas. Os democrata-cristãos terão, assim, que se aventurar fora do bloco liberal-conservador. Após as eleições de 2005, a aliança de partidos conservadores já o havia feito ao entrar numa coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD), o segundo maior da Alemanha. As conversas que podem levar a uma eventual repetição dessa aliança devem começar na sexta-feira. Grandes blocos Foi o antigo secretário-geral da CDU Heiner Geissler que, há cerca de 30 anos, introduziu um conceito que passou a dividir a política alemã em dois grandes blocos. Na época, os verdes haviam se tornado de fato uma força, elevando de três para quatro o número de partidos na cena política alemã – com ideias e valores diversos. Geissler descrevia o "bloco burguês" como o composto por conservadores e liberais; e do lado outro colocava, no "bloco esquerdista", social-democratas e verdes. Geissler defendia que o mais importante era conseguir uma maioria sempre dentro do próprio "bloco". Ganhos eleitorais à custa do parceiro de coalizão, dizia, não implicariam lucro. De fato, desde a teoria pensada por ele, a maioria dos governos na Alemanha foi formada, sobretudo, dentro desses blocos políticos. A campanha eleitoral de 2013, por sinal, teve como objetivo a formação de um governo entre conservadores e liberais ou social-democratas e verdes. Os eleitores, porém, decidiram o contrário. Agora são cogitadas opções de coalizão entre conservadores e social-democratas ou conservadores e verdes. – A CDU está interessada em formar uma coalizão. Portanto, é claro que agora ela esteja pedindo a seus eventuais parceiros que deixem de lado antigas maneiras de pensar – diz o cientista político Uwe Jun, da Universidade de Trier. Omid Nouripour, deputado pelo Partido Verde, acreditava, por exemplo, que futuramente os verdes estejam mais abertos. Para ele, a decisão de apostar numa coalizão entre social-democratas e verdes foi uma das causas para o mau desempenho de seu partido nas legislativas. Tendo em vista os baixos índices de aprovação, segundo Nouripour, ficou claro para os eleitores que desde início os verdes não tinham a opção de poder. Poucas alternativas De forma mais intensa que no caso do SPD, a questão em torno de uma coalizão com democrata-cristãos toca na identidade dos verdes. Em seus primórdios, ele foi o partido dos pacifistas, ecologistas e de todos que eram contra o establishment. Para muitos verdes, mesmo hoje, uma coalizão com a CDU seria uma traição à causa do partido. Na Alemanha, já houve uma grande coalizão entre social-democratas e conservadores – No passado, o SPD foi muito pragmático. Em nível estadual, o partido já faz coligações com a CDU, sem grandes problemas. Mas os verdes ainda não têm uma experiência positiva com democrata-cristãos. A única coalizão entre conservadores e verdes fracassou em Hamburgo – diz Uwe Jun. No entanto, o SPD também não teve na última grande coalizão de governo em nível federal uma experiência positiva. Na eleição seguinte, teve uma perda significante de votos. Se, no final, nenhum acordo for alcançado em torno de uma nova coalizão de governo, a Lei Fundamental alemã permite que os correligionários de Merkel formem um governo de minoria. Isso, no entanto, já foi descartado pela chanceler. Sem maioria própria, ela não teria quase margem de manobra, levando em conta que o Bundesrat (câmara alta do Parlamento alemão), que desempenha um papel importante no processo legislativo, é dominado atualmente pelo bloco esquerdista, do SPD e dos verdes. Então caso ninguém consiga obter uma maioria própria e não consiga ser eleito como chanceler federal, resta somente uma saída: novas eleições. Mas é improvável que, num momento de instabilidade na Europa, os partidos alemães deixem que a situação chegue a esse ponto.
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