Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

Merkel ainda tenta formar novo governo na Alemanha

Terça, 20 de Setembro de 2005 às 06:45, por: CdB

Ainda abatida pelo frustrante resultado eleitoral, a líder conservadora alemã Angela Merkel pedirá nesta terça-feira apoio do seu partido para comandar o Parlamento e se fortalecer nas negociações para a formação de um novo governo.

Membros da sua União dos Democratas Cristãos (CDU) e da sua versão bávara, a União Social Cristã (CSU), vêm manifestando apoio a Merkel desde que ela venceu o atual chanceler (primeiro-ministro), o social Gerhard Schroeder, na eleição de domingo, ainda que por uma margem muito aquém da prevista.

Os dois partidos se reúnem a partir das 16h em Berlim (11h em Brasília) para confirmá-la como líder. Mas o relógio corre contra Merkel. Ela terá menos de um mês para convencer os social-democratas a desistirem de um novo governo Schroeder e a formarem uma coalizão com ela, ou então terá de atrair os Verdes para uma aliança a CDU-CSU e com o Partido dos Democratas Livres (FDP).

Se não houver acordo, os poderosos "barões" da CDU podem se voltar contra Merkel, já criticada por uma campanha inepta e cheia de gafes. Se isso ocorrer, pode ser o fim de Merkel como uma força política na Alemanha.

- Uma Merkel gravemente ferida tem de ir à ofensiva nas negociações da coalizão. Até agora, as facas do seu partido não saíram para ela.- disse o diário Sueddeutsche Zeitung.

Há poucas semanas, Merkel, de 51 anos, era vista como a líder que iria tirar a Alemanha do seu estupor econômico e desencadear uma onda de reformas em toda a União Européia.

Mas a CDU-CSU obteve entre 6 e 7 pontos percentuais abaixo do que previam as pesquisas, e os conservadores ficaram sem maioria para formar um governo só com seus aliados do FDP.

Por isso, já não está tão claro que ela se tornará a primeira mulher a governar a Alemanha.
"Chanceler ou colapso?", era a manchete do jornal Bild, o mais popular do país. "O destino de Merkel será determinado nos próximos dias." 

Apesar de seu SPD ter ficado com três cadeiras parlamentares a menos que os conservadores, Schroeder prometeu não desistir facilmente de um novo mandato.

Seu partido parece disposto a atrair o FDP para o seu lado, o que criaria uma coalizão "semáforo" - com o SPD, cuja cor é o vermelho, o FDP, simbolizado pelo amarelo, e os Verdes.

Durante a campanha, Schroeder mostrou Merkel como uma radical fria, ávida por desmantelar o Estado de Bem-Estar Social alemão, enquanto os conservadores acusavam o chanceler de mentiroso. Mesmo assim, muitos analistas consideram que o resultado mais provável agora será uma "grande coalizão" entre social-democratas e democratas cristãos.

O que não se sabe ainda é se isso seria possível com Merkel ou Schroeder na chancelaria. Os partidos tentarão formar um governo de maioria até 18 de outubro, quando o novo Parlamento toma posse.

Roland Koch, líder conservador no Estado de Hesse, disse à emissora ZDF na noite de segunda-feira que a votação para reconduzir Merkel à chefia do grupo parlamentar CDU-CSU vai demonstrar que os conservadores continuam dando apoio total a ela.

- O chanceler está buscando, na minha opinião com uma mistura inacreditável de arrogância e excesso de confiança, dizer que ganhou a eleição. Mas a verdade é que ambos os lados não atingiram os seus objetivos - disse.

A incerteza abala os mercados e pode prejudicar decisões da União Européia sobre as reformas econômicas necessárias nos 25 países do bloco. Investidores torciam para que Merkel obtivesse um sólido mandato, que lhe permitisse reduzir os custos do emprego, facilitar demissões e simplificar o sistema tributário.

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