Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2026

Mercosul recebe Cuba e dissolve situações de mal estar

Sexta, 21 de Julho de 2006 às 09:44, por: CdB

Um encontro dos presidentes da Argentina e do Uruguai atrasou em uma hora o início da 30ª Reunião de Cúpula dos Presidentes do Mercosul, nesta sexta-feira. Néstor Kirchner e Tabaré Vázquez tentam resolver o mal estar que vem causando a construção de duas fábricas de celulose na fronteira dos dois países. As duas fábricas - a finlandesa Botnia e a espanhola Ence - estão sendo construídas no município uruguaio de Fray Bento, às margens do Rio Uruguai, que separa os dois paises. Os argentinos afirmam que as fábricas vão causar graves danos ambientais. Vázquez prometeu fechar as duas unidades, caso provoquem danos ambientais.

Cerca de 30 argentinos fizeram um protesto na porta do local onde se realiza o encontro. Uma barreira policial foi montada a aproximadamente 2 quilômetros do prédio, de modo a impedir que possíveis ruídos atrapalhem a reunião ou qualquer contato dos manifestantes com os chefes de Estado.

Cuba

Os presidentes dos países membros do Mercosul deram início, formalmente, nesta sexta, a uma nova cúpula assinando um amplo acordo comercial com Cuba e prometendo avançar no processo de integração apesar dos vários conflitos bilaterais. O presidente cubano, Fidel Castro, chegou na quinta-feira à cidade argentina de Córdoba, vestindo seu uniforme verde oliva e, sem discursar, já provocou agitação no encontro, que marca também a estréia da Venezuela como sócio pleno do bloco.

O acordo com Cuba, responsável por dobrar a quantidade de produtos que poderão ser enviados à ilha sem pagar impostos ou pagando taxas reduzidas, gerou algumas especulações a respeito da imagem do Mercosul diante dos Estados Unidos. Mas os mandatários se esforçaram para frisar que a integração não é ideológica, que o bloco busca ter boas relações com todo o mundo e que a estratégia dele é ganhar cada vez mais espaço.

- Agora temos (no Mercosul) recursos energéticos, gás, petróleo, alimentos, produtos semi-industrializados e industrializados, reservas de água. Temos disponíveis todos os recursos para uma estratégia compartilhada de desenvolvimento - afirmou Carlos Alvarez, presidente da Comissão de Representantes Permanentes do bloco.

Na cúpula regional estão presentes também os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez; do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; da Bolívia, Evo Morales; da Argentina, Néstor Kirchner; do Uruguai, Tabaré Vázquez; do Paraguai; Nicanor Duarte e do Chile, Michelle Bachelet. Quase todos esses dirigentes, com algumas diferenças de caso a caso, formam a nova onda de líderes da região com discurso de esquerda, mas com políticas fiscais prudentes, que não assustam os mercados.

Encontros bilaterais

Para além da agenda regional, os presidentes chegaram a Córdoba com a intenção de buscar soluções para uma série de desentendimentos bilaterais, especialmente no setor de energia. Bachelet deve, ao se reunir com Kirchner, conversar a respeito de um novo imposto que a Argentina criou sobre as exportações de gás e que poderia afetar os consumidores chilenos. Lula se reuniu com Morales também para discutir questões de energia -- neste momento, empresas petrolíferas dos dois países negociam um novo preço para o gás boliviano vendido ao Brasil.

O presidente da Bolívia ficará cara a cara com Bachelet, no primeiro encontro dos dois desde que o Chile aceitou oferecer aos bolivianos um acesso facilitado ao oceano Pacífico, revendo assim um antigo conflito bilateral. Também Kirchner e Vázquez podem se reunir e conversar sobre o conflito em torno de duas fábricas de papel construídas na margem uruguaia de um rio fronteiriço. A Argentina resiste às obras.

Espera-se que dezenas de ambientalistas desembarquem em Córdoba, na sexta-feira, para protestar contra o Uruguai e as fábricas de papel, algo que Montevidéu defende com unhas e dentes. O projeto é o maior investimento particular da história uruguaia.

Tags:
Edições digital e impressa