As denúncias contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, não devem ter grandes efeitos imediatos sobre os investidores estrangeiros que colocam dinheiro no Brasil - mas a situação muda de figura se elas afetarem a sua permanência no governo. A avaliação é de analistas internacionais ouvidos pela agência inglesa de notícias BBC, nos EUA. O consultor Joel Velasco, vice-presidente da Stonebridge International, disse que, por enquanto, o assunto é tratado no mercado apenas como um boato. Porém "o caso assume uma dimensão totalmente diferente" se realmente for comprovado o envolvimento do ministro, disse ele.
Já o economista Nuno Camara, responsável pela área da América Latina do banco de investimentos Dresdner Kleinwort Wasserstein (DRKW), em Nova York, afirma que os últimos desdobramentos da crise brasileira só vão afetar de forma mais dramática o humor dos mercados se redundarem na saída de Palocci. Na opinião dele, os investidores ainda consideram pequenas as chances de que isso aconteça.
- Por enquanto o caso é visto apenas como um evento político - disse Camara.
O que não significa que os investidores estão ignorando o caso. "O mercado vai acompanhar com atenção. Se ele (Palocci) sair, será um problema", afirmou o estrategista de moedas estrangeiras do banco ABN-Amro em Chicago, Greg Anderson.
- Ele é visto como a pessoa que tem mantido o presidente Lula no caminho das políticas macroeconômicas corretas. A saída dele levaria a uma grande incerteza sobre o rumo da economia - afirmou.
Credibilidade
Para Nuno Camara, a denúncia em si não afeta a credibilidade de Palocci junto aos investidores estrangeiros.
- O mercado sabe que políticos estão sujeitos a denúncias - diz ele.
Camara observou que, depois da reação de pânico logo após à divulgação da denúncia, o dólar já começou a se recuperar.
- Aos poucos, à medida que a notícia é digerida e entendida pelo mercado, a situação volta à normalidade. A única preocupação é quanto à renúncia de Palocci, o que poderia levar a uma ruptura nas políticas macroeconômicas do governo - afirmou Camara.
A movimentação dos números é grande, segundo ele, porque o movimento no mercado financeiro cai em agosto, por causa das férias de verão no Hemisfério Norte, o que leva a uma maior volatilidade com um volume de negócios pequeno.