Rio de Janeiro, 24 de Maio de 2026

Mercado vê IPCA menor,juro estável e abre frente para BC

Segunda, 30 de Maio de 2005 às 06:06, por: CdB

O mercado está se antecipando ao Banco Central (BC) e já sinaliza o fim do aperto monetário e início de um período mais prolongado de estabilidade da taxa de juro. As projeções feitas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) estão reproduzindo o movimento visto há praticamente um ano, mas com perspectiva de desembocar em decisão radicalmente oposta. No ano passado, o BC elevou o juro no mercado aberto após meses de estabilidade. A expectativa para 2005 é de retomada do processo de corte da Selic no terceiro trimestre --momento em que as decisões de política monetária serão tomadas com efeito contratado para o segundo trimestre de 2006.

Há praticamente um ano, em abril de 2004, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual. O juro caiu a 16% ao ano e este nível foi mantido até meados de setembro, quando teve início a série de ajustes que configurou o atual aperto monetário. Nesta sexta-feira, ao divulgar a ata da última reunião do Copom, o BC exibiu sua preocupação com a inflação corrente e com o risco de deterioração das expectativas. Mas o BC não se comprometeu com qualquer decisão futura.

No pregão da BM&F, porém, grandes bancos não hesitaram em cortar especialmente as projeções de contratos de depósitos interfinanceiros (DI) de prazos mais longos. O juro com prazo de um ano passou a embutir desconto de 0,76 ponto percentual frente à Selic atual.

Curva negativa

Essa medida de curva de juro negativa - correndo abaixo da Selic - é a mais expressiva desde abril do ano passado e que antecedeu um período de estabilidade da Selic ou de política monetária neutra. A sinalização dada pelo mercado futuro de juros tende a ser reforçada na semana de virada de maio para junho e que será brindada com o anúncio da taxa de expansão da economia brasileira no primeiro trimestre.

A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2005 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está prevista para a terça-feira e é o principal evento da agenda econômica na semana.

Acomodação

A projeção média de expansão do PIB no primeiro trimestre ante o quarto trimestre do ano passado é de 0,44%, mostra pesquisa Reuters realizada com 15 instituições financeiras. Os prognósticos variaram de 0,2% a 0,7%, resultando em mediana de 0,4% - variação idêntica à observada no quarto trimestre de 2004 ante o trimestre anterior. Expansão de PIB dessa magnitude sugere acomodação da atividade, comportamento almejado pelo BC que reiterou, na ata do Copom, a sua preocupação com a oferta de bens e o elevado uso da capacidade instalada na indústria como fatores que contribuem para pressionar a inflação.

Boa Notícia

Dois índices de inflação de maio serão também serão divulgados na semana: IGP-M e IPC-Fipe.

A partir do IPCA-15 divulgado na quarta-feira, véspera do feriado de Corpus Christi, bancos e consultorias passaram a considerar o arrefecimento da inflação porque o IPCA-15 foi pressionado, sobretudo, por aumento de energia elétrica e ônibus urbano - preços que perderão força nas próximas semanas. Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco, considera a possibilidade de o IPCA de maio inaugurar o processo de arrefecimento da inflação corrente.

Em relatório distribuído a investidores, Barros explica que a queda esperada para os preços administrados e para os preços livres deve garantir redução de pelo menos 0,20 ponto percentual no IPCA de maio.

- Em junho, devido à quase ausência de reajuste de preços administrados, além da maior intensidade do efeito do câmbio...esperamos IPCA de 0,35 por cento. Em julho haverá nova aceleração devido à concentração de reajuste de administrados. Mas de julho a dezembro contamos com índices mensais entre 0,30% e 0,40% - disse.

Núcleos perdem fôlego

Marcela Prada, economista da Tendência

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