O dólar comercial amanheceu nesta terça-feira com tendência de alta e, nas primeiras horas do dia já acumulava uma escalada de 2%. A moeda norte-americana, que abriu com valorização de 2,81%, registrava às 10h06m elevação de 2,17%, a R$ 2,218 na compra e R$ 2,219 na venda. O movimento, no entanto, era esperado pela maioria dos analistas, que no fechamento do mercado, nesta segunda-feira, logo após a demissão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, reagiu negativamente à nomeação de Guido Mantega. O risco-país também apresentou alta nesta manhã. O EMBI+ brasileiro, que mede a percepção do investidor estrangeiro sobre o país, tinha às 10h16m elevação de 5%, para 246 pontos centesimais.
O primeiro impacto da chegada de Guido Mantega foi sua opinião sobre as taxas de juros, que ele e, de resto, a maioria do setor produtivo brasileiro, consideram extremamente alta. Em pronunciamento na noite desta segunda, porém, ele tentou acalmar os ânimos dos investidores, que precisam de um juro nas alturas para manter o capital investido no país, e prometeu que não haverá mudanças na política econômica. Segundo o novo ministro, cabe somente ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, dirigir a economia brasileira.
Pela manhã, em entrevista ao jornal da TV Globo Bom Dia Brasil, Mantega disse que a taxa de juro pode baixar, mas o governo não pretende abrir mão do controle rígido da inflação. Ele toma posse à tarde, no ministério. Analistas também consideraram preocupante para os investidores a saída do do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal, que ainda não tem substituto.
Além da alta do dólar e do risco-país, devido ao cenário político, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) trabalha também apreensiva sobre a decisão do Federal Reserve, o Banco Central americano, de aumentar as taxas de juros nos Estados Unidos, o que poderia provocar uma certa fuga de capitais do país. Mantega já se mostrou, no passado, um crítico da atual política monetarista conduzida pelo ex-ministro Palocci.