A estabilidade do dólar tem facilitado um equilíbrio maior sobre as operações no mercado de câmbio
Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini afirmou, nesta quinta-feira, que tem percebido "certo arrefecimento" na demanda por swaps cambiais (troca de taxa de variação cambial, com a variação do preço do dólar norte-americano, por taxa de juros pós-fixados), a pouco mais de um mês do fim da atual fase programa de leilões diários feitos nesta quinta-feira pela autoridade monetária.
– Mais recentemente... temos observado certo arrefecimento da demanda. Por um lado, swaps continuam sendo canalizados para empresas não financeiras e fundos de investimentos. Por outro, investidores não residentes reduziram ligeiramente a busca por essa proteção – afirmou Tombini durante encontro, na capital paulista.
O BC iniciou o programa de intervenções em agosto passado, quando o dólar estava perto de R$ 2,45 diante das incertezas sobre o futuro do programa de estímulos do Federal Reserve. Naquele momento, a autoridade monetária brasileira ofertava todos os dias até 10 mil contratos de swaps, com exceção na sexta-feira. No último dia útil da semana, o mercado cambial fazia leilões de venda de dólares com compromisso de recompra, conhecidos como leilão de linha.
No início deste ano, com o dólar mais comportado a R$ 2,35 e sinais consistentes de que o Fed continuaria cortando seus estímulos de forma gradual, o BC reduziu bem suas ações no mercado, passando a fazer leilões diários apenas de swaps cambiais e com até 4 mil contratos por dia. Na época, informou que isso ocorreria até "pelo menos até 30 de junho de 2014".
Em janeiro e fevereiro, o BC vinha rolando integralmente os swaps que venciam neste período, sem afetar a liquidez. Mas, nos últimos dois meses, rolou apenas 75% dos contratos que venceram. E, agora, sinalizou que vai reduzir essa fatia para 50%.
Após os comentários de Tombini, o dólar anulou a queda e passou a subir ante o real, com os operadores avaliando que o presidente do BC sinalizou que o programa de leilões pode ser reduzido ou até mesmo encerrado no meio do ano. Tombini reafirmou que as intervenções no mercado de câmbio foram bem sucedidos e reduziram a volatilidade. Além disso, sustentou que muitos emergentes apresentam fundamentos mais consistentes do que no passado.
Ele também voltou a dizer que a redução gradual das compras de ativos pelo Fed causou uma reprecificação natural dos ativos financeiros. Para Tombini, a menor volatilidade nos mercados pode ser explicada também pela expectativa de que novas rodadas de estímulo possam ocorrer na Europa. O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, deixou a porta aberta para adotar mais medidas para estimular a economia da região.
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