Rio de Janeiro, 06 de Fevereiro de 2026

Mercado financeiro deve permanecer estável durante as próximas semanas

Os negócios no mercado financeiro devem permanecer equilibrados na próximas semanas. Mas há risco de instabilidade em alguns momentos, caso a situação argentina traga fatos novos negativos. Nesta sexta-feira à noite, está marcada uma grande manifestação em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino e, na próxima semana, são grandes as chances de que a população continue a se manifestar de forma cada vez mais agressiva contra as condições econômicas e financeiras do país.

Sexta, 25 de Janeiro de 2002 às 17:19, por: CdB

Os negócios no mercado financeiro devem permanecer equilibrados na próximas semanas. Mas há risco de instabilidade em alguns momentos, caso a situação argentina traga fatos novos negativos. Nesta sexta-feira à noite, está marcada uma grande manifestação em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino e, na próxima semana, são grandes as chances de que a população continue a se manifestar de forma cada vez mais agressiva contra as condições econômicas e financeiras do país. O principal motivo para a revolta da população é o regime que restringe os saques bancários. O presidente Eduardo Duhalde está no posto há um pouco menos de um mês e são grandes as pressões sobre ele. A principal causa é o processo de pesificação das dívidas dos argentinos e de empresas do país. Sobre esta questão, a dúvida crucial é quem vai ficar com o prejuízo. No caso das instituições financeiras, muitos créditos concedidos em dólar serão pagos em pesos, de acordo com uma taxa de câmbio fixa - em $1,40 peso por dólar. O fato é que esta é uma taxa de câmbio irreal. Para se ter uma idéia, o dólar abriu cotado hoje na Argentina a $1,85 peso no câmbio livre. A Argentina também enfrenta o problema de falta de recursos para fechar suas contas. Depois de declarar a moratória, o país não conta com a ajuda de organismos internacionais. O Fundo Monetário Internacional (FMI) vincula a possibilidade de novos recursos à aprovação de um Orçamento com forte corte de gastos. Por outro lado, o governo enfrenta a resistência das províncias para atingir este objetivo e ainda precisa elaborar medidas que favoreçam o reaquecimento da atividade econômica. Em relação ao cenário externo, os investidores também estarão atentos aos sinais da economia norte-americana. Os analistas ainda mantêm a expectativa de que o ritmo da atividade econômica do país volte a ficar mais forte a partir do segundo semestre. Na próxima semana, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) reavalia a taxa de juros do país, que está em 1,75% ao ano. Muitos analistas apostam em manutenção dos juros neste patamar. A política monetária estabelecida pelo presidente do Fed foi de forte redução das taxas de juros a partir dos atentados terroristas, em 11 de setembro. De lá para cá, a taxa foi reduzida pela metade - estava em 3,5% ao ano no início de setembro. Os últimos números da economia norte-americana já demonstram alguma recuperação, mas os analistas ainda aguardam sinais mais fortes neste sentido. As bolsas do país já retornaram para os níveis anteriores aos atentados. Ontem o presidente do Fed, Alan Greenspan, fez um depoimento mais otimista ao comitê do Senado, afirmando que a economia norte-americana pode estar saindo da recessão (veja mais informações no link abaixo). Internamente, os investidores aguardam a divulgação de índices de inflação na próxima semana, além do resultado mensal da balança comercial. Na terça-feira, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulga o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) referente à terceira semana de janeiro. O Índice Geral dos Preços de Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), será conhecido na quarta-feira é o primeiro índice de inflação fechado do mês de janeiro. O comportamento da inflação tem sido acompanhado de perto pelos analistas, pois a definição das taxas de juros toma por base o cumprimento das metas de inflação. Neste ano, a meta é de 3,5% ao ano, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic - a taxa básica de juros da economia - ficou em 19% ao ano. Ao final da reunião do Comitê, a lentidão na queda dos índices de inflação foi apontada como o principal motivo para a decisão. Na próxima quinta-feira, será divulgada a ata da reunião, que deve detalhar os motivos para a decisão do Copom. Já o saldo semanal da balança comercial será divulgado na segunda-feira e o saldo mensal, na sexta-feira

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