Segundo o diário britânico Financial Times, "se as pesquisas eleitorais estão corretas, o Brasil vai eleger Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, no próximo dia 27". O FT salienta que a liderança de Lula está sendo sustentada por uma "onda de apoio pessoal, entusiasmo por mudanças e grandes expectativas", mas "essa adulação não será suficiente para garantir um bom governo". "O primeiro, e mais importante, desafio de Lula será o de lidar com a crescente crise econômica do Brasil", diz o jornal. Segundo o FT, os problemas econômicos do Brasil não foram criados por Lula, "mas eles são realçados por uma falta de crença na sua habilidade para gerenciar a economia". "Todos os sinais de uma moratória potencial são visíveis: uma crescente carga da dívida pública, taxas de juros de curto prazo altas, baixo crescimento, uma moeda em rápida desvalorização e uma perda da confiança internacional", disse o jornal. "Diante das atuais taxas de mercado, até mesmo um otimista admitiria que o Brasil está insolvente." Diante desse quadro, salienta o FT, "a importância das decisões iniciais de Lula para a economia não podem ser exageradas". "O atual silêncio do PT antes do segundo turno é compreensível, mas não pode permanecer", disse o jornal. "Para garantir que a sua Presidência tenha uma chance, Lula terá de agir rapidamente para aumentar a confiança na economia e em seu governo." "Solvência do Brasil está na ponta da faca" O Financial Times também afirma que nos primeiros dias do próximo governo "uma nova equipe econômica - ministro da Fazenda e presidente do Banco Central - precisa ser apontada". Segundo o jornal, os mercados financeiros ficarão acertadamente preocupados se os candidatos não inspirarem confiança na habilidade do novo governo em promover políticas monetária e fiscal críveis. "Qualquer sinal de extravagância com as finanças públicas ou com a inflação colocaria mais pressão no câmbio e elevaria ainda mais as taxas de juros dos mercados", disse o FT. "A próxima parada seria ou o fracasso em pagar as obrigações contratuais ou um retorno ao namoro do Brasil do passado com a inflação elevada." O diário britânico salienta que "ortodoxia e o fato que o Brasil pode financiar as suas dívidas para o resto deste ano" poderão ser suficientes para acalmar os mercados. "Mas talvez não seja, porque todo mundo sabe que a solvência do Brasil está na ponta da faca", disse o FT. "Então, o novo governo não pode evitar considerações sobre se deve impor controles cambiais parciais ou mesmo reestruturar as dívidas do Brasil". Qualquer dessas medidas "seria um imenso passo de risco, que deve ser evitado ao máximo", afirma o jornal. "Mas essas ações poderiam concebivelmente ser melhores do que uma tentativa frustrada, heróica e, em última instância, de perseverar." A decisão do novo governo "terá de ser tomada sobriamente e rapidamente". "Seria também necessário organizar uma reestruturação que minimize os choques nos mercados financeiros e na confiança no Brasil", disse o FT. Isso "necessitaria a boa-fé" dos credores. "Seja o que for o que o governo de Lula decidir fazer, ele também terá de se comprometer com políticas fiscal e monetária ortodoxas e críveis para restaurar alguma confiança do mercado e colher os benefícios dos custos menores dos pagamentos da dívida." O FT salienta que "ninguém quer assumir um economia enfrentando circunstâncias tão difíceis mas Lula não tem outras opções". "O maior teste de sua presidência será o que fazer com a crise de solvência do Brasil", afirma o jornal. Leia também em Opinião: Banqueiros e governo de FHC tentam um golpe de mercado no Brasil
Mercado faz última aposta no caos antes de Lula chegar à Presidência
O mercado internacional joga pesado na sua última tentativa de criar um fato político que abale a trajetória do candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O jornal Financial Times, na sua edição desta terça-feira, em editorial, diz que a crise brasileira está se aprofundando. Na Argentina, banqueiros comemoram o descontrole do dólar e apostam na degradação econômica do Brasil. (Leia Mais)
Terça, 15 de Outubro de 2002 às 07:17, por: CdB