Rio de Janeiro, 19 de Outubro de 2026

Mercado externo orienta dólar no Brasil em setembro

Sexta, 29 de Agosto de 2008 às 15:56, por: CdB

A recuperação do dólar no cenário internacional deve ser a principal bússola do mercado de câmbio no Brasil em setembro, após a arrancada da moeda norte-americana em todo o mundo nas últimas semanas.

Agosto terminou com a maior valorização mensal do dólar em pelo menos uma década frente a uma cesta com as principais moedas internacionais . No Brasil, o dólar avançou 4,41 por cento, maior alta mensal desde maio de 2006.

Entre os fatores que ressuscitaram a moeda após vários anos de desvalorização, analistas citaram a queda das matérias-primas após meses de recordes sucessivos. A fraqueza econômica do Japão e da Europa também contribuiu, disseram.

Essa movimentação no exterior fez o dólar subir no Brasil mesmo com o nível relativamente alto dos juros e com a volta dos ingressos de recursos para o país - junho e julho haviam tido saída líquida de capitais.

Por isso, analistas são cautelosos em definir um rumo para a taxa de câmbio em setembro.

- A gente vai continuar sendo puxado pelo mercado internacional - disse Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora.

Segundo Joel Bogdanski, consultor de análise econômica do banco Itaú, isso "depende muito da evolução das commodities, que é uma coisa imprevisível".

O petróleo, por exemplo, atingiu recorde de quase 150 dólares no começo de julho, mas terminou agosto perto de 115 dólares - queda de cerca de 20 por cento.

- Você pode ter um furacão nos Estados Unidos (por exemplo). É muito difícil de prever o que vai acontecer - disse.

Na ausência de novidades, Bogdanski acredita que o dólar se mantenha perto da estabilidade durante setembro, sem uma tendência definida. "Precisa de uma surpresa, algo bem imprevisto, para que o dólar suba muito ou caia muito." Para ele, o "natural" é que, nas atuais circunstâncias, o dólar fique entre 1,60 a 1,65 real.

O cenário internacional é importante também para orientar o comportamento dos investidores estrangeiros no país. Eles chegaram a acelerar a alta do dólar ante o real no começo de agosto, ao inverter suas posições no mercado futuro para apostar brevemente na valorização da moeda norte-americana.

Agora, eles exibem posições vendidas de cerca de 2 bilhões de dólares em derivativos cambiais na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) --o que representa uma pressão, ainda que menor do que em meses anteriores, pela queda do dólar no Brasil.

- Este fato fortalece a perspectiva de que ao início de setembro, passado este momento de final do mês, o preço do dólar perca a sustentação no entorno de 1,62/1,63 real e recue a 1,60 real - escreveu Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, em relatório.

Analistas do banco francês BNP Paribas pensam diferente. "Vemos espaço para o dólar chegar ao nível de 1,65 real."

- O Banco Central vai continuar com uma postura agressiva (em direção ao aumento dos juros). Isso só vai ajudar a minimizar o impacto da tendência global de alta do dólar, mas não vai revertê-lo - comentaram em nota.

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