A Swarovski vendeu trinta pares de taças de cristal austríaco por R$ 1.916,00 o par na virada do ano. E quem deixou para a última semana de 2004 ficou sem as reluzentes taças.
- Deixamos de vender porque não tínhamos a mercadoria - diz o gerente-geral da Swarovski no Brasil, Marcelo Monteiro.
Sobrou apenas o par usado para demonstração, que os funcionários mostram cuidadosamente com luvas, para não deixar marcas que comprometam o brilho do cristal.
As taças, porém, foram exceção nesse mercado de luxo, onde o brilho das peças e das grifes foi ofuscado pela escalada do euro em relação ao dólar e ao real, já que a maior parte das grifes tem origem européia. A Cartier, por exemplo, apostou alto no lançamento dos exclusivos relógios Santos Dumont - o brasileiro que, além de ter sobrevoado a Torre Eiffel com o 14 Bis, um marco na aviação mundial e no mundo dos dirigíveis, também inventou há 100 anos, com o joalheiro Louis Cartier, o relógio de pulso. Até então, apenas as mulheres usavam relógios em pulseiras de diamantes e colares.
Todo o glamour da marca e dessa história, porém, não foram suficientes para dar impulso às vendas do modelo Santos 100, vendido a R$ 15 mil, ou do Santos Dumont clássico, em ouro, a R$ 31 mil - ou o mesmo que um consumidor pôr no pulso um carro popular zero quilômetro, com todos os acessórios, mais o tanque cheio e dinheiro para um fim de semana num dos mais luxuosos resorts do País. Só que um Cartier é para toda a vida, diz Claudine Nectoux Boussardon, diretora da Cartier no Brasil.
A francesa Claudine não esconde, porém, a frustração com as vendas.
- O ano de 2004 foi idêntico ao de 2003, mas esperamos mais para 2005 porque a grife tem diversificado os artigos e oferecido mais opções para os consumidores.
Apesar dos números idênticos do balanço financeiro, uma surpresa: a linha de jóias Panter, que tem 30 itens, que vão de broches de R$ 5 mil a colares de R$ 80 mil.
- As vendas dessa linha foram surpreendentes, ao contrário dos relógios - diz Claudine, atribuindo esse movimento ao dinheiro novo que está entrando no mercado do luxo, vindo do agronegócio.
As marcas do império global do luxo Moët Hennessy-Louis Vuitton (LVMH) também não avançaram em 2004, apesar de lançamentos como a água de colônia Acqua di Parma, que os italianos criaram em 1916 para fazer frente ao avanço das colônias alemãs. Nem marcas como Givenchy, que seduziram e viraram objeto de sedução ao ter os produtos usados por Audrey Hepburn, conseguiram crescer.
A diretora do poderoso grupo LVMH no Brasil, Evelyse Britto, diz que deve encerrar o balanço de 2004 com números idênticos aos de 2003. "O potencial do setor ainda não foi totalmente explorado". Para 2005, a expectativa é de um crescimento de 10%. Para isso, as grifes lançam novos itens, inclusive alguns de menor valor para garantir vendas, sobretudo nestes tempos de euro supervalorizado.
Evelyse também esperava, na última semana do ano, que as vendas de dezembro da grife Givenchy apontem uma alta de 5%, o que representaria, mesmo assim, resultados 15% inferiores aos projetados para o ano. Para 2005, a projeção é de crescimento entre 10% e 15%, graças ao lançamento previsto de uma nova linha de maquiagem. É nessa diversificação que essas marcas de luxo têm procurado seduzir mais e novos consumidores.
A grife Kenzo, que também pertence ao grupo LVMH, mas tem no Brasil o executivo Alex Flak como diretor da marca, também não registrou aumento de vendas.
- O único problema para a marca são os preços - os maiores na América Latina, devido principalmente à tributação e à disparidade entre a moeda interna e o euro - diz Flak.
A joalheria Tiffany também comemora o ano com muito champanhe. A rede, que não divulga números locais e fatura globalmente US$ 1,7 bilhão, consolidou as duas lojas da América Latina, ambas em São Paulo - uma no Shopping Iguatemi e outra na Rua Hadock Lobo, n