Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 2026

Mercadante deixa liderança do PT e Arns aprofunda crise na legenda

Quinta, 20 de Agosto de 2009 às 09:20, por: CdB

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) anunciou, nesta quinta-feira, a sua decisão de deixar a liderança do partido. Durante a manhã, ele conversou por telefone com alguns senadores petistas sobre o assunto e avisou da decisão. Ele deixa o cargo em decorrência da decisão do partido de arquivar, na véspera, a abertura de investigação pelo Conselho de Ética contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), o que contrariou decisão tomada pela bancada petista.

Outra fratura na bancada do PT é a ação do senador Flávio Arns (PT-PR), na Justiça, contra o partido, o que ampliou o contorno de uma nova crise no cenário político do Planalto. Na véspera, Arns entendeu que a legenda "jogou a ética no lixo" ao ajudar no arquivamento das denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), num "acordão" com os oposicionistas para livrar também o mandato do tucano Arthur Virgílio (AM) da cassação por quebra do decoro parlamentar.

Arns disse que Mercadante lhe comunicou da decisão de deixar a liderança numa conversa que teve, pela manhã, por telefone. Segundo ele, o companheiro de legenda teria dito que também não concorda com a decisão partidária e, por isso, deixaria o cargo de líder no Senado. O senador paranaense, da chamada 'bancada ética' do PT, ingressou com um processo para manter o seu mandato sob a alegação que o PT rompeu com seu código de ética e conduta política.

A apenas mais um ano e meio do fim de seu mandato, Flávio Arns nega que sua desfiliação do PT tenha relação com as eleições de 2010 e que já esteja conversando com novos partidos políticos, diante da possibilidade de perder a indicação dos petistas paranaenses, que tendem a apoiar o nome de Gleisi Hoffmann, mulher do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para uma vaga no Senado.

– O PT ultrapassou todos os limites que a sociedade podia aceitar. Estou saindo por causa de um acúmulo (de decisões questionáveis do PT). Se não houvesse essa interferência descabida do partido eu não estaria saindo (da legenda). O que eu disse (sobre a questão ética do PT) é verdadeiro e expressa o sentimento de muita gente no Brasil. (O meio político brasileiro) tem que viver um novo momento. Não se pode dizer que 'sempre foi assim'. Os senadores têm que representar claramente essa disposição do povo. Estamos sendo cobrados intensamente, em todos os momentos – explicou o parlamentar.

Arns irá encaminhar, nos próximos dias, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma consulta para garantir que, mesmo deixando a legenda, não tenha o mandato tomado pelo partido. Por decisão da Justiça Eleitoral, desde 16 de outubro de 2007, senadores podem ter seus mandatos cassados caso não apresentem justificativa para a troca de partido. O TSE prevê que a mudança de agremiações só pode ocorrer em caso de incorporação ou fusão de legendas, de criação de um novo partido político, de grave discriminação pessoal do filiado ou de "mudanças substanciais ou desvio reiterado do programa partidário".

– É fundamental que a Justiça dê uma perspectiva nova (para a troca de partidos). Não sou eu quem está sendo infiel ao PT. É o partido que está sendo infiel a seu programa. Se a Justiça decidir isso (nova perspectiva para fidelidade partidária), todos os partidos vão tomar mais cuidado. Pretendo fazer uma consulta jurídica não só para o meu mandato – afirmou.

Matéria atualizada às 12h51

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