Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Mensagem política de filme alemão encontra ressonância

Terça, 18 de Maio de 2004 às 10:51, por: CdB

Um longa-metragem alemão sobre um grupo de jovens que sonham em mudar o mundo dinamizou o Festival de Cinema de Cannes na segunda-feira e se tornou um dos candidatos mais cotados à Palma de Ouro, o prêmio de melhor filme do evento.

"The Edukators", do diretor de 28 anos Hans Weingartner, soma-se ao tom fortemente politizado que percorre o evento este ano, que abrange desde o polêmico documentário "Fahrenheit 9/11", de Michael Moore, até trabalhadores em greve nas ruas.

Primeiro filme alemão a competir em Cannes em 11 anos, ele conta a história de três jovens idealistas que invadem as mansões de ricos e mudam seus móveis de lugar, deixando nas casas mensagens dizendo, por exemplo, "você tem dinheiro demais".

O objetivo não é roubar dos ricos para dar aos pobres, mas fazer seus alvos questionarem seus próprios privilégios. Quando os três jovens são pegos em flagrante pelo dono de uma casa, eles o sequestram e são obrigados a colocar seus ideais em prática.

"Fico feliz por exibir este filme no país em que a palavra 'revolução' foi criada", disse Weingartner em coletiva de imprensa realizada na cidade.

O diretor, austríaco de nascimento e que também é neurocirurgião formado, disse que a história foi inspirada por sua própria frustração diante da falta de ideais políticos de sua geração e o impacto sufocante das imagens da mídia e da publicidade.

"Não sabemos onde usar nossa energia revolucionária e não sabemos como combater o sistema porque não conseguimos segurá-lo, então não sabemos como atacá-lo", disse ele. "O sistema se tornou invulnerável porque ele próprio nos vende revolução."

"The Edukators" é estrelado por Daniel Bruehl, de "Adeus, Lênin!".

Bruehl disse que teve vontade de fazer o papel de Jan, o protagonista, porque o personagem possui uma visão crítica da sociedade e tem a coragem de fazer algo a respeito.

Os críticos em Cannes aplaudiram nas cenas em que os sequestradores e sua vítima discutem com inteligência como o idealismo juvenil costuma desaparecer.

Weingartner evita criar um final simplista, preferindo deixar aberta a possibilidade de cada um dos personagens ser transformado pela experiência.

"Meu filme não pretende convocar à revolução. Para mim, é muito mais importante destacar a importância de sermos críticos e questionarmos o status quo", disse o diretor.

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