Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2026

Mens Sana curtiu menção em Locarno

O culto do corpo pode se transformar numa obsessão narcisista, diz Juliano Dornelles, pernambucano de origem gaúcha, diretor do curta-metragem Mens Sana in Corpore Sano, ganhador de uma menção honrosa na mostra Leopardo do Amanhã, no recém-terminado Festival Internacional de Cinema de Locarno.

Sexta, 19 de Agosto de 2011 às 04:24, por: CdB
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O culto do corpo pode se transformar numa obsessão narcisista, diz Juliano Dornelles, pernambucano de origem gaúcha, diretor do curta-metragem Mens Sana in Corpore Sano, ganhador de uma menção honrosa na mostra Leopardo do Amanhã, no recém-terminado Festival Internacional de Cinema de Locarno. Depois de muita ginástica, quando o corpo do culturista são só montanhas de músculos comandados pela cabeça, o corpo pode se revoltar e dispensar a cabeça. É esse o roteiro do filme de Juliano Dornelles, ligado numa dose visual de horror. « Eu sempre fui interessado por filmes desse gênero, diz Juliano, minha educação cinematografica, vamos dizer assim, sempre foi pautada por esse tipo de gênero. O cinema italiano dos ano 70, o próprio cinema de Hollywood dessa época, minha área de interesse sempre foi essa, a dos filmes de terror . E partindo de uma desejo meu de utilizar esse tipo de linguagem, pensei numa situação na qual eu pudesse explorar esses clichês e surgiu a oportunidade de fazer esse filme com o culturista que perde a cabeça ». Juliano Dornelles explica que se trata de um filme sobre o corpo e sobre o narcisismo, na busca da perfeição física. Acaba sendo uma crítica a esse comportamento. « Em 2008, junto com Daniel Bandeira, conta Dornelles, desenvolvemos esse roteiro e o submetemos a um concurso em Recife e ganhamos o prêmio para poder filmar. Filmamos, a montagem demorou e levou um ano e meio, porque dei uma parada de seis meses e isso foi bom para o final do filme. Como o filme foi rodado em digital, em janeiro ficou pronta a transposição para a película. A estréia do filme foi na Mostra de Cinema de Tiradentes, onde foi visto pela representante de Locarno e levado para a Suíça, onde foi incluído na competição de curtas". Com 30 anos, Dornelles foi estudante de Artes Plásticas na Universidade de Pernambuco, em Recife, onde não existia um curso de cinema. Com amigos criaram um grupo chamado Simio Filmes e foi assim que começou a fazer filmes com a câmera digital. Juliano já havia feito um vídeo-clip de dois minutos, em 2005. Rui Martins, correspondente do Correio do Brasil.
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